mulher cultura plural

O feminino velejando entre mundos da literatura, cinema, comportamento e atualidades.

Simone Bittencourt Shauy

Enfermeira por paixão. Escritora por predestinação. Ilustradora por inclinação. Mulher plural por emancipação.

Amor é um jeito, não um gênero...

Amor é feito de sentimento, não de rótulo.


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Um encontro como tantos outros... Uma história de amor como tantas outras... O resto é mero detalhe, não essência...

Isabela era alta, elegante, cabelos longos, olhos brilhantes e serenos. Desconhecia a própria sensualidade. Caminhava com a altivez e a majestade das rainhas que são soberanas. Era uma mulher de muitas palavras nos seus silêncios. Sabia como ninguém, no seu jeito de ser, conjugar todos os verbos que se relacionavam à beleza nas suas muitas dimensões. Uma mulher extraordinária, absolutamente encantadora. Se achava invisível, comum, sem tempero. Mal sabia ela que era, sem fazer força alguma, puro esplendor.

Heloísa era extroversão, exagero, intensidade, impetuosidade, instinto. Precisava viver em alta voltagem, mergulhada em tudo que significasse manter-se apaixonada, com os sentimentos à flor da pele. Absoluta combustão.

Duas mulheres opostas em muitas coisas, mas ainda sim, formavam uma simbiose perfeita. Uma conseguia tocar a alma da outra. Uma sabia como ninguém ler a outra nas entrelinhas. Isabela, na sua timidez, sempre com reservas de ser sua essência do lado de fora, preocupada em ser julgada nos seus quereres e sonhos. Heloísa era a atitude de decisão que lhe faltava. Pouco a pouco, Heloísa foi libertando-a de suas muralhas. Fez isto cativando Isabela nas mínimas coisas. Sua extrema sensibilidade e afiada intuição desarmavam-na, deixavam-na a deriva de ser conquistada, cortejada, seduzida e adorada.

Isabela conquistou Heloísa sendo o porto-seguro, a estabilidade, serenidade, segurança. Era aquele farol no alto da colina que guiava Heloísa fora das tormentas em segurança para a calmaria, por vezes necessária. Heloísa, em contra partida, na sua habilidade inata de ser encantadora, dava coragem para que Isabela desse vazão à seus anseios mais secretos. Isabela buscava intensidade no sentir prazer que o amor em plenitude faz libertar.

O amor de uma pela outra era pleno, sem reservas, sem medos, inseguranças, hesitações. Era uma conexão que só somava, nunca subtraía. Quanto mais mergulhavam emocionalmente uma na outra, mais cúmplices em tudo se tornavam a ponto de fundirem-se completamente. A porta de uma se abria para a janela da outra. A vida de uma se abria em atalhos na vida da outra. Os sentimentos de uma se misturavam na correnteza da outra. Tudo entre elas era assim, simplesmente unidade, simplesmente amor perfeito, simplesmente um encontro sem possibilidades de desencontros.

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Simone Bittencourt Shauy

Enfermeira por paixão. Escritora por predestinação. Ilustradora por inclinação. Mulher plural por emancipação. .
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