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Sobre qualquer coisa

Bruna Castelo Branco

Estudante de jornalismo. Por enquanto, é só isso

Claire e Frank se amam de verdade?

Acho quase todo mundo que assiste House of Cards alguma vez já se perguntou: Claire e Frank se amam de verdade? Por que eles estão juntos e como conseguem aceitar os amantes que ocasionalmente, um ou outro arranja? Esse texto não é uma solução para essas perguntas, apenas uma divagação solta sobre o tema. OBS: contém spoilers. Cuidado.


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Diversas vezes ouvi discussões acaloradas sobre o amor de Claire e Frank Underwood, personagens de House Of Cards. Entre os principais questionamentos e afirmações, estavam: “o amor deles é verdadeiro mesmo?”; “eles só estão juntos por conveniência”; “eles são amigos, não um casal”, e por aí vai.

Não estou aqui para analisar o amor de ninguém – mesmo que sejam personagens de uma série. Mas, entre Claire e Francis – como ela prefere chamá-lo – eu vejo tanto amor, mas tanto amor, que nem cabe. O amor deles é tão grande que até confunde e, como eu disse, chega a gerar discussão. Mas a questão fica: por que o relacionamento de Claire e Frank é tão controverso?

Bom, primeira coisa: foge completamente de qualquer clichê de romance que normalmente vemos em séries de TV americana e filmes hollywoodianos. Para uma série, os personagens são tão complexos, profundos e únicos que parecem ter vida própria além-TV. Entre suas fraquezas, medos, ambições e perspectivas, está o amor – tão amarrado a essas reais sensações humanas que às vezes é confundido com elas. “Claire só está com Francis por medo”; “eles estão juntos para ganhar as eleições”. Mas não, não é nada disso. O casal Claire e Frank nasceu antes de tudo isso. E, é claro, as vivências que tiveram contribuíram para chegar onde chegaram.

Eles são como um só, divididos em dois. Claire tem a consciência social que Frank não tem, e ele a dureza que muitas vezes ela gostaria de ter sem sentir culpa. E talvez por isso o relacionamento deles é tão triste: eles podem ir para qualquer lugar com qualquer um, fazer qualquer coisa quando quiserem, terem vários amantes, mas nunca serão tão entendidos e complementados quanto são um pelo outro. É por isso que não importa se Frank decidiu ter um caso com a jornalista Zoe e Claire sempre foge com o fotógrafo Adam quando se sente muito só. Não importa porque não adianta: eles, como qualquer ser humano, precisam de alguém que os compreenda.

O amor de Claire e Frank é triste porque é acompanhado de uma dependência emocional: sem um, o outro não consegue avançar. Só que, em vários momentos, para um avançar, o outro precisou se permitir ficar para trás, imóvel, assistindo e ajudando - principalmente Claire. E é isso o mais doloroso nesta história: ela quer ajudar, mas, naturalmente, não pode aceitar que suas ambições pessoais sejam esquecidas em benefício de outro - mesmo que o outro seja o seu amor, seu melhor amigo e marido.

É por isso que a relação beira o real. Sem contos de fadas, sem felizes para sempre, sem grandes sacrifícios pessoais e sem uma fada madrinha conselheira que consegue salvar toda a história. Claire não quer abandonar Frank, mas, diariamente, morre de medo de ter feito as escolhas erradas e, principalmente, morre de medo de desaparecer. Onde foi parar aquela jovem cheia de sonhos e ambições que queria viver aventuras e sempre ser lembrada? Caso não houvesse tanto amor, as coisas poderiam ter sido diferentes. Caso não houvesse tanto amor, talvez Claire tivesse tomado uma decisão bem mais rápida e certeira. Caso não houvesse amor, tudo isso não teria sido acompanhado de tanto sofrimento.

E essa é a parte mais difícil: há amor. Parece que Claire e Frank não se amam porque eles se amam demais, abriram mão de desejos pessoais e hoje se vêem encurralados por decisões impossíveis de desfazer e pelo amor que ainda os une. Eles se amam tanto que às vezes são obrigados a dar um tempo para poder olhar melhor e com mais atenção para si mesmos e não deixar que esse amor compulsivo os destrua - ainda mais.

Eles são confidentes, melhores amigos, companheiros de cigarro e corridas noturnas e corrosivamente dependentes de tudo isso. Entre idas e vindas, de uma coisa tenho certeza: eles são uma dupla impossível e imbatível. E é exatamente por isso que é insuportável. E belo também.


Bruna Castelo Branco

Estudante de jornalismo. Por enquanto, é só isso.
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