my cup of tea

Olhares sobre a vida, encontros, significados, filosofia.

Adriana Borges

Ariana, idealista e aventureira. Curto a natureza e desbravar o mundo. Estou descobrindo o sentido da vida. Quero fazer muitas coisas mas ainda não encontrei tempo. Um dia quero perder o medo e pular de bungee jump!

Cópia fiel: o valor da arte

Cópia Fiel é um filme original, uma história que faz pensar, emociona, provoca risos, um certo incômodo pelo realismo das cenas, e impressiona pela genialidade do autor, o cineasta iraniano Abbas Kiarostami, que mistura referências entre cinema, a vida e a arte para discutir o valor das coisas. O filme, não se engane, não discute apenas o valor da cópia na arte, mas o valor que damos a todas as coisas que são importantes em nossas vidas.


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O sentido da discussão sobre a arte, que é o pano de fundo da história, é bem amplo e filosófico. O filme sugere muita reflexão, mas deixa o expectador livre para suas próprias interpretações.

A qualidade de uma obra de arte depende do contexto e está nos olhos de quem a vê, argumenta o escritor inglês James Miller (William Shimell) no começo de Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010). Então, uma falsificação pode ter a mesma validade do original? Elle (Juliette Binoche), uma francesa dona de galeria, interessada em conhecer aquele homem e suas ideias, o convida a passear pelas ruazinhas de Lucignano.

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Durante o percurso, os dois são confundidos nos papéis de marido e mulher. Vivenciando situações pitorescas da vida, eles resolvem incorporar os personagens, que passam por uma crise no casamento de 15 anos. É nesse encontro mágico que tudo acontece. Mas não há romantismo e nem paixão. São tentativas de resgate da delicadeza e da gentileza, que muitos perdem nas relações. São as contradições de cada um. A difícil aventura de amar e ser amado.

As cenas mais tocantes do filme, tão comuns e reais em um relacionamento, despertam uma identificação imediata e um certo desconforto. Elas evocam uma discussão sobre o sentido das coisas, uma busca pela interpretação dos fatos, dos sentimentos e das ideias, algo pessoal e subjetivo. Você pode achar tudo muito interessante, mas se não tiver muita paciência, pode sentir um certo cansaço ou até um grande tédio.

Há um momento em que você se sente totalmente só como a personagem de Juliette Binoche no filme. Tanto na vida como na arte, as pessoas vivenciam cada experiência de uma forma única. As coisas têm pesos diferentes. Temos olhares diferentes para o mesmo objeto e situação. O que você sente é o que você vê? Ou o que você vê é o que você sente?

Na verdade, o que menos importa, é se aquilo que você consegue enxergar é original ou uma cópia, se é verdade ou ficção. O que vale é a nossa interpretação, o sentido que damos para as coisas. E o valor da vida e da arte, ambos, estão totalmente imersos nessa imaterialidade.

Assista ao trailer:

Este texto foi escrito por mim e publicado originalmente aqui:


Adriana Borges

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