narrativas visuais

reflexões e apontamentos sobre artes visuais na contemporaneidade

Arlete Fonseca de Andrade

Paulistana, vegetariana, tem formação em ciências humanas e sociais e é apaixonada por animais e artes visuais. Desde 2009 participa de cursos, curadoria, exposições e escreve artigos de arte.

Marina Abramović e a Experiência Sensorial

Marina Abramovic - experiências e vivências sensoriais em relação a performance artística.


Algumas propostas para o cotidiano: caminhe muito lentamente, desacelere o pensamento, abafe o som externo, acorde seu corpo, perceba-o, escute seu coração, esqueça o celular e outros acessórios eletrônicos durante pelo menos duas horas.

São ações simples, porém, será que dispomos de tempo, percepção e vontade para realizá-las? Principalmente vivendo no ritmo acelerado das grandes metrópoles como: Nova York, Londres, Tokyo, São Paulo, ente outras?

Alguns dirão que não dispõem desse tempo, outros podem até pensar na possibilidade, e poucos, acredito, irão aceitar o desafio. Surgem indagações. Para que e por que estas propostas?

Para responder, sugiro conhecer o trabalho da artista Sérvia Marina Abramovic que está no Brasil para apresentar seu método e a exposição “Terra Comunal”, composta por uma série de vídeos e objetos marcantes na trajetória de sua carreira. Ambos se completam. É para ver, sentir, e se possível, crer nessa vivência que a artista traz para o público.

O método proposto vai ao encontro das ações mencionadas acima. Abramovic entende que a ferramenta para demonstrar sua arte é seu corpo, e para isso, é preciso compreender seus limites. Foi a partir dessa percepção que criou seu método.

Primeiro é necessário despertar o corpo e seus sentidos com uma série de exercícios de respiração, alongamento, gerar calor e energia friccionando as mão e tocar olhos, nariz, ouvidos e boca. Após esta etapa o público tomará contato com os objetos transitórios. Camas, cadeiras, totens confeccionados em madeira e vários cristais posicionados na direção dos shakras.

Durante o contato com os objetos não se fala e nem se ouve o som exterior. A experiência objetiva tomar consciência do corpo, mente, tempo e som que nosso corpo produz. Corpo, mente ou ambos guiarão sua própria vontade, seja divagando, não pensar em absolutamente nada, dormir, ouvir sons do nosso interior, refletir.

O trabalho artístico de Abramovic é focado totalmente na pesquisa de vivências sensoriais do corpo, da performance e reperformance de longa duração.

A proposta de “Terra Comunal” foi inspirada a partir das viagens que Abramovic fez ao Brasil, Austrália, Indonésia, China, Tibete, durante muitos anos a fim de constatar a influência da meditação, cristais e outros minerais, no corpo e na mente. Somada a esta experiência, também conheceu comunidades tradicionais que comungam da crença na natureza para cura corpórea e espiritual.

A busca da artista por elementos da natureza, costumes e crenças foram para compreender e aplicá-los nas formas imateriais de arte que desenvolve. O título da exposição, “Terra Comunal”, descreve exatamente esta experiência, sugerindo uma aproximação coletiva pela arte. Um ato de comunhão.

A exposição Terra Comunal Marina Abramovic´ + MAI está no SESC POMPÉIA até 10 de maio, de terça a sábado das 10hs às 21hs. Domingo e feriados, das 10hs às 19hs.

Para participar dos encontros com Marina Abramovic, método e agendamento para grupos, acesse o site: www.sescsp.org.br/terracomunal09mar2015---jornalistas-participam-de-aula-com-marina-abramovic-no-sesc-pompeia-em-sao-paulo-1425945351185_956x500.jpg


Arlete Fonseca de Andrade

Paulistana, vegetariana, tem formação em ciências humanas e sociais e é apaixonada por animais e artes visuais. Desde 2009 participa de cursos, curadoria, exposições e escreve artigos de arte..
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