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Procurando a inconstante poesia da vida

Lizandra Avanso

Jornalista, poetisa e um pouco de escritora. Paulistana que pega o metrô, que ama cada canto da cidade e que procura em todo lugar a poesia da vida. Às vezes, achamos; outras vezes, não. E você, já encontrou?

Terminar também é um ato de amor

Ela não gostava dele, mas não tinha coragem para terminar. Era um cara legal, mas um chantagista. Ela já estava cansada daquilo e explodiu. Ele podia ter as qualidades que for, mas ela, definitivamente, não gostava dele. E nem iria gostar.


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Ela não gostava dele, mas não tinha coragem para terminar. Era um cara legal, sem grandes vícios e trabalhava honestamente. Um genro aceitável dentro dos padrões e uma agradável companhia. Mas ela não gostava dele.

Ela já tentou terminar algumas vezes. Ele, por sua vez, chorava, abraçava-a e fazia-se de vítima. Ela se sentia mal. Como seria capaz de fazer alguém sofrer desta forma? Alguém que gostava realmente dela!

Ele era um chantagista. Conquistava um espaço na vida daquela garota com insistência e não com amor genuíno. E não se incomodava com isso. Ganhava piedade nesse relacionamento ao invés de amor, mas ele sentia-se satisfeito assim.

Ela já estava cansada daquilo. Não queria mais sair, nem assistir a filmes, nem estudar, nem ler seus romances de cabeceira. Pensava dia e noite na possibilidade de se desfazer daquele encosto de porta que não nunca ia embora.

Então, resolveu fazer tudo o que há de ruim: passou a mentir, a enganar e chegou a traí-lo. Ele soube, mas mesmo assim não se importou. Como não se importou? O que se passava pela cabeça daquele cara?

Quando não aguentou mais, ela gritou com ele, vomitou tudo o que estava entalado daquele namoro fingido e, por fim, deu um basta em tudo: Terminou o relacionamento, sem dó.

Ele sumiu da vida dela, das redes sociais, dos e-mails nunca respondidos e, por fim, também sumiu.

Ela continuou vivendo da forma que mais gostava e a última notícia que teve dele é que está em outro relacionamento, está feliz, vai se casar e será pai no próximo ano.

Ela sorriu com a notícia e sentiu-se feliz pela felicidade dele. Abriu seu livro preferido e viajou nos romances platônicos, aqueles de que ela gosta que fiquem lá, em algum plano superior.

Sim, terminar, às vezes, é grande ato de amor.


Lizandra Avanso

Jornalista, poetisa e um pouco de escritora. Paulistana que pega o metrô, que ama cada canto da cidade e que procura em todo lugar a poesia da vida. Às vezes, achamos; outras vezes, não. E você, já encontrou? .
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