no meu tempo de quadra

Diga não, uma mente bitolada não!

João Vitor Rocco

18 anos, estudante de Jornalismo, contrário a direita e também a esquerda da política Brasileira, admirador dos anos 90 (Rap dos EUA) e das décadas de ouro do Samba no Brasil.

Apresentação do cenário 2015 do rap!


11208776_953733174689164_2042195131_n.jpg  “No meu tempo de quadra faz a cesta, corre e marca” é um trecho da música “Deixe-me cair” do rapper Predella. Embora o nome do blog faça alusão ao basquete, deixo claro desde o início dessa postagem que abordarei vários temas diferentes, entre eles, está o rap. Vou tratar como rap no texto, já que hip hop, engloba dança, pixo, e outras formas de expressão. Era pra ser um texto simples, mas ficou grande por isso vou lançar em duas partes. Pra começar a explicar minha ligação com a arte, e sem forçar que o leitor a goste desse estilo de música, apenas comentarei como está a cena do rap no país atualmente: Oriente, Haikaiss e Costa Gold são os grupos mais falados hoje em dia, o CD do Haikaiss com muitas faixas inéditas e algumas já de sucesso, foi um lançamento desse ano, eu não escutei todas as faixas, mas a música “A prova” pra mim é uma das melhores com certeza, no YouTube você acha essa faixa cantada ao vivo pelos integrantes do grupo com participação do Cortesia da Casa no programa Manos e Minas da TV Cultura. Outro lançamento desse ano foi o CD do Costa Gold, que fecha o clico do grupo que era composto por três MC’s, porém teve a saída de Adonai (que está presente no disco). Esse sim eu escutei inteiro e posso garantir que é o melhor da trilogia, mesmo admitindo que o CD passado dos caras era um trampo bem pesado e liricamente as rimas só progrediram. O Oriente lançou músicas novas, mas o que de fato podemos definir como trabalho do grupo foi o acústico que mostra bem o que o grupo carioca tem de melhor, a pegada musical e instrumental, violino, elementos de percussão trazem a calma, e os rappers Nissin e Chino com rimas fortes e rápidas. Quando se trata de tema político, o Oriente é o melhor grupo de rap, infelizmente as tracks do grupo mais conhecidas são as que falam de amor (geração do arrocha está presente até no rap). Na mesma linha de lançamentos tem o CD do Start que também escutei inteiro e trás inovações e músicas pra fazer hit mesmo, com refrão bom, rima rica e ligeira, de Stephan, Q-shó e Faruck com destaque pra música deles com o Hélinho do Ponto de Equilíbrio, já que só víamos parcerias assim darem certo na gringa. Falando de caras que não lançaram CD, porém lançaram clipes, músicas e etc... Podemos falar do Rodrigo Ogi e do Shawlin, dois caras atuais pra caramba na cena e mesmo assim representantes da velha escola (Old School) a forma com que Ogi fala de rolé, drogas, pixação, perigos de um motoboy, faz com que a realidade de muitos paulistanos exposta (a série de vídeo em desenho Trindade, vale a pena ser conferida no YouTube). Escuto muito neguinho dizendo que Ogi é “rap emo” só pela inexistência de crime, arma e morte nas rimas do cara, o rap foca a realidade e se o cara não presenciou esse clima mais hostil ele tem todo direito de abordar as coisas que ele realmente viveu, pra chegar e falar do Shawlin é muito fácil só citar o “Ruas Vazias” que sem dúvida é um dos principais discos que já ouvi de rappers brasileiros, mas antes de citar o “Cachorro Magro” que é o trampo atual dele junto com o Tropkillaz (outro nome que cresce não só no cenário de rap e não só no cenário brasileiro) podemos falar do Quinto Andar que era um puta grupo de rap da antiga, onde tinha nomes como Marechal e De Leve (desconhecido pra alguma parte da geração nova, mas que fez música com o Costa Gold nesse CD novo dos caras). Pra falar de lançamentos de 2015 vou ter que abrir um parêntese enorme pra defender o que o Racionais fizeram. Não é querendo pagar de especialista em música e tudo que engloba essas paradas complexas de um grupo na questão pessoal de cada integrante opinar, por isso vou tentar falar de maneira bem simples, um grupo que só tinha remixes simples, samples do Tim Maia (na música Ela Partiu) coloca na pista um CD que tem funk dos EUA, funk ostentação brasileiro, e podemos falar até mesmo do Soul, músicas curtas, rimas diretas que em todo momento mostra que o grupo entende que a lei da sociedade é: você vale o que você tem. A revolução do Diário de um Detento é incrível, Negro Drama, Jesus Chorou, mas temos que respeitar a questão temporal, naquele momento o Pânico na Zona Sul era preciso ser demonstrado, o Capítulo 4 Versículo 3 precisava das estatísticas de quantos pretos morrem em SP, hoje em dia esses números são vomitados na imprensa a toda hora, não é questão que os caras pararam ou cansaram de protestar, é questão que tiraram o foco, evoluíram no instrumental, me diz que outro grupo de rap arriscaria mudar tanto a pegada já conhecida e admirada por todos? Racionais em 25 anos de carreira musical souberam misturar todos os gêneros do som negro americano e sul americano, até o Brown falou de amor. O olhar apaixonado nas críticas dos fãs é compreensível, mas antes de falar A ou B, entenda que os caras saíram da periferia da quebrada deles, conheceram o mundo através do rap e talvez eles tenham muito mais coisas pra falar do que já falaram, e que um simples beat, produção, e ritmo diferente, faz parte de toda essa mudança. No passado o vocal feminino era o diferencial dos caras, nesse CD a produção, e o Kl Jay com certeza passaram horas dentro do estúdio pra acertar o CD de Rap/Soul/Funk chamado de “Cores e Valores”.

João Vitor Rocco

18 anos, estudante de Jornalismo, contrário a direita e também a esquerda da política Brasileira, admirador dos anos 90 (Rap dos EUA) e das décadas de ouro do Samba no Brasil..
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