no meu tempo de quadra

Diga não, uma mente bitolada não!

João Vitor Rocco

18 anos, estudante de Jornalismo, contrário a direita e também a esquerda da política Brasileira, admirador dos anos 90 (Rap dos EUA) e das décadas de ouro do Samba no Brasil.

Arte ou vagabundagem?


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Os grandes nomes da história da música brasileira sempre relatam que tiveram dificuldade ao explicar para os pais que queriam seguir no caminho da música, já que no início da televisão e dos programas de calouros a profissão de cantor, e de ator, nem eram consideradas profissões. A grande questão é o que é maior, o preconceito com a arte ou o preconceito entre as artes. Geralmente fãs de Rock são julgados e rotulados como preconceituosos, assim como geralmente fãs de MPB são rotulados de antiquados e desanimados, mas já parou para pensar se colocássemos “A mulher de fases do Raimundos” para explicar “O meu amor” do Chico Buarque? “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa num doce balanço a caminho do mar (...)”. Era essa a vista de Vinícius de Moraes, talvez uma imaginação de uma garota em Ipanema ou talvez um cotidiano de um jovem boêmio na praia que admirava o caminhar simples aos olhos de um homem comum, mas poético aos olhos de um artista.

Embora a poesia surja no tempo da vassalagem amorosa, onde o homem se coloca em posição de conquistar a mulher amada a todo custo à mesma poesia pode ter outro lado. Saindo da boemia carioca dos anos 60 e vinda para a realidade paulista dos anos 90. “Equilibrado num barranco um cômodo mal-acabado e sujo, porém, seu único lar, seu bem e seu refúgio. Um cheiro horrível de esgoto no quintal, por cima ou por baixo, se chover será fatal (...)”. Mesmo sem referência bibliográfica você deve ter lido o trecho acima com a voz do cantor Mano Brown, um dos integrantes do grupo de rap Racionais Mc’s. Seria um crime textual chamar um rapper de intérprete? Ou seria um crime literário diferenciar duas rimas escritas à mão que definem gerações, seus gostos, suas condições financeiras, moradias? De biológica chamamos de felino uma enorme variedade de animais, exemplo: leão, jaguatirica, gato, leopardos e tigres. Então podemos dizer grosseiramente que a “família” poeta composta por cantores de MPB, escritores, e grandes nomes do cenário musical brasileiro, também deveria agrupar rappers, sambistas como Bezerra da Silva, e roqueiros como Raimundos, Charlie Brown Jr. Assim como misturas que tiveram seu sucesso comprovado pela quantidade de fãs, como: Planet Hemp e Mamonas Assassinas.

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A arte é um termo subjetivo, tem gente que considera futebol uma arte, tem gente que se depara com uma obra famosa de Pablo Picasso e diz que é um monte de rabiscos e traços de criança, tem gente que vê o Impressionismo de Monet e define como calmo demais, ou até mesmo Van Gogh se retrata após cortar a orelha e simplesmente utilizam o adjetivo “louco”. Mas a verdadeira loucura não é procurar diferença onde não tem? Se perguntarmos para especialistas ou profissionais de músicas, as respostas serão sempre parecidas, mas qual é o seu sentimento pela arte? Questione-se sobre músicas que você escutou em momentos específicos da sua vida, ou músicas que você escutava antes, escuta agora e provavelmente vai ensinar seus filhos a gostarem.

Edson Arantes de Nascimento considerado o melhor jogador de todos os tempos, gravou até CD e garanto que nem o mais fanático torcedor santista tem o CD do “Rei do futebol” na estante, assim como Pelé outro inteligentíssimo jogador também tentou a carreira no mundo sonoro, Sócrates, líder da democracia Corintiana, que marcou história pela influência nas “Diretas Já” (protestos para que se fosse adotado a eleição presidencial no Brasil) e pelos passes de calcanhar que confundiam as cabeças dos adversários, assim como versos de poetas, que musicalmente ou em poesia, pode fazer você ir para um lado desconhecido, sentir cheiros, emoções, frustrações, raiva, ironia, revolta e no fim você se perguntar, onde está o poeta que fez isso comigo? Quando lemos um livro de Machado de Assis, dizemos que lemos Machado de Assis, quer honra maior que sua profissão ser sinônimo do seu próprio nome?


João Vitor Rocco

18 anos, estudante de Jornalismo, contrário a direita e também a esquerda da política Brasileira, admirador dos anos 90 (Rap dos EUA) e das décadas de ouro do Samba no Brasil..
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