no nosso quintal

A arte como transformação social

Brunno Alexandre

Planta e Raiz: Positividade e Resistência

Em uma entrevista descontraída, o vocalista de uma das principais bandas de reggae do país, Zeider Pires, conversou sobre o novo disco "Segue em Frente", sobre as tragédias na música brasileira e a crise política e econômica no Brasil


Nesta semana, estive com o vocalista Zeider Pires, de 35 anos, de uma das bandas de reggae com mais representatividade no cenário musical brasileiro, a banda “Planta e Raiz”, que lançou um novo EP em junho deste ano. O “Segue em Frente” é o décimo disco na carreira do grupo, que apresenta mais sete canções inéditas com parcerias com outros músicos de diferentes vertentes musicais, como Ivo Mozart, Marcelo Mira, Marceleza e Tato Cruz da banda Falamansa.

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Com mais de mil apresentações realizadas em diferentes lugares do mundo, a banda segue em turnê pelo país para divulgar o novo trabalho. “O show é a música em ação, é o momento que nós presenciamos o poder que a música tem de reunir as pessoas, de trazer a alegria e transformar os corações”, explicou Zeider. Para o vocalista, o músico não é diferente de outros trabalhadores do mercado de trabalho. “Estar na estrada é nosso trabalho. É como quem acorda todo dia e bate o ponto, faz o que tem de fazer e no fim do dia volta para casa. Mas o nosso trabalho é diferente, é muito mais legal”, brincou.

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Diversas parcerias, como o Rappa, Skank, Edi Rock (Racionais) Sandrão (RZO), Chorão e Champignon do CBJR (Charlie Brown Junior) foram consolidadas com o tempo de carreira, deixando marcas históricas que foram registradas em músicas da banda. Em uma das faixas do “Segue em Frente”, “Free World”, a banda homenageia o contrabaixista Champignon do CBJR, que morreu em 2013.

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No começo do ano, Chorão também havia sido encontrado morto em seu apartamento, o que chocou fãs de todo país. “Foi tudo muito forte, os caras representavam uma geração. Geral cresceu ouvindo Charlie Brown, pensar que não temos mais isso é bem louco, principalmente quando coloco um som do CBJR e penso que nunca mais surgirá sons daquelas mentes. Mas ao mesmo tempo vemos que o poder da música é muito grande, a música não morre e assim podemos fazer homenagens e gravar os corações”, revelou Zeider, que repassou os direitos autorais da “Free World” para a filha de Champignon.

DE ONDE VEM, PARA ONDE VAI

Em relação ao novo contexto do reggae brasileiro, de músicos que estão emergindo tendo “Planta e Raiz” como referência, Zeider encara tudo isso com positividade. "Agora que está ficando legal, você vê o pessoal das antigas que perseverou, como Ponto de Equilíbrio, Mato Seco, Chimaruts. e agora estão surgindo os novos nomes, como Marina Peralta, Cidade Verde, Onze e Vinte, que são outra geração. É a galera que ia pro show do Planta e agora estão começando a fazer seus shows. A tendência é que tudo isso cresça, tem que deixar o bicho pegar”.

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Esse movimento de modernização da música, com novos artistas e diferentes posturas, é um dos elementos do reggae enquanto transformação social para Zeider, fundamental nos dias de hoje. “Todos nós temos que alertar as pessoas em relação ao amor verdadeiro, transformar o próprio coração para depois transformar o meio que a gente vive. Plantar sementes de amor, sementes de consciência e assim a gente acredita que os cidadãos vão se transformando”, afirma.

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Questionado sobre a situação de crise econômica, política do país e as represálias impostas de outra classe para o povo brasileiro, Zeider deixou uma mensagem de esperança. “Não podemos desistir, nosso sonho é o que nos move e vamos correr atrás de realizar. Mesmo nessa dificuldade, quem se fortalece nesse período consegue vislumbrar as sementes plantadas. A mensagem que eu deixo para todo mundo é que nunca desistam dos sonhos”, concluiu.
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