Patricia Abilio

Sou culta, fajuta, sou rasa.

Comparativo entre o filme e o livro: O Homem Duplicado

Tertuliano Máximo Afonso, é um pacato professor de História, em meio a uma depressão,pois acabou de separa-se, sem grandes expectativas na vida, que mora sozinho em seu apartamento. É um sujeito melancólico, devido a rotina do trabalho, aceita a sugestão de um colega, professor de matemática e decide ir alugar uma fita de vídeo na locadora. A partir de então são desencadeadas as problemáticas do livro. Ao assistir o filme " Quem porfia Mata e Caça", Tertuliano, nota que um dos personagens secundários do filme é sua cópia e decide ir atrás do ator.


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Uma obra homônima de José Saramago, gira em torno de Adam e Anthony, homens idênticos, que por alguma maneira não são simplesmente gêmeos perdidos. A problemática se inicia a partir do momento que os dois se deparam com esta realidade duplicada, a busca por respostas começa a perturbá-los. Um pacato professor de história descobre acidentalmente a existência de um sósia enquanto assiste a um filme despretensiosamente. Certamente, quando os personagens descobrem que são idênticos, o fato começa a levantar algumas questões, que ao longo do filme serão desenvolvidas.

Diversas adaptações de sagas literárias fizeram grande sucesso no cinema, geram expectativas nos fãs, mas nem sempre agradam à todos. Enemy é o mais recente trabalho do canadense Denis Villeneuve, diretor conhecido e aclamado por seus filmes autorais, tendo em vista seus ótimos filmes Os Suspeitos e Incêndios.

O filme ‘O Homem Duplicado’, gera certa estranheza no expectador, pois, enredo não linear não segue uma sequência cronológica, desenvolve-se descontinuamente, com saltos, antecipações, retrospectivas, cortes e com rupturas do tempo e do espaço. Mas de forma alguma isso é um ponto negativo, já que o filme gira em torno da história de dois personagens que são idênticos. Até então, nada de surpreende, certo? Porém, em nenhum momento o filme deixa claro que os personagens são irmãos, apenas que são cópias perdidas.

A grande sacada do filme não é dar respostas e sim gerar questões acerta da cerne filosófica. A fotografia amarelada remete á morbidez da rotina dos personagens, a frieza das relações humanas modernas, refletido na caótica e urbana Torronto. O embate psicológico dos personagens sobre vida vazias e a dualidade eminente do ser, interpretado pelo ator Jake Gyllenhaal.

“ O que sucede é que tudo me cansa e aborrece, esta maldita rotina, esta repetição, este marcar passo, Distraia-se, homem, distrair-se sempre foi o melhor remédio, Dê-me licença que lhe diga que distrair-se é o remédio de quem não precisa dele.” (SARAMAGO)

O livro do autor José Saramago, de mesmo nome é uma obra prima literal.Narra de maneira detalhista a vida do personagem principal,TERTUALIANO MÁXIMO AFONSO, ao longo da história, esse nome talvez fique na memória dos leitores por um longo período. Pois bem, Tertuliano Máximo Afonso, é um pacato professor de História, em meio a uma depressão, sem grandes expectativas na vida, que mora sozinho em seu apartamento. É um sujeito melancólico, devido a rotina do trabalho, aceita a sugestão de um colega, professor de matemática e decide ir alugar uma fita de vídeo na locadora. A partir de então são desencadeadas as problemáticas do livro. Ao assistir o filme " Quem porfia Mata e Caça", Tertuliano, nota que um dos personagens secundários do filme é sua cópia e decide ir atrás do ator.

Tanto o livro e consequentemente o filme, nos apresentam de maneira clara os problemas pós modernos humanos, o personagem principal lida com o fato gerador da crise essencialmente humana, a modernidade líquida. Motivos de reflexões a cerca da vida, aliás apresenta algumas das perplexidades do mundo contemporâneo, prioriza a aflição do homem atual não somente quanto às questões materiais, acima disso o caos e o vazio existencial.

No livro Amor Líquido, Bauman (2005) afirma que o “amor líquido” representa a fragilidade dos laços humanos e a série de artimanhas que os seres humanos engendram para substituí-lo. Ao tentar definir a temática dessa obra, afirma que “(...) o principal herói deste livro é o relacionamento humano.” (BAUMAN, 2004, p. 08) A obra de Saramago desencadeia a fragilidade dos laços humanos a priore, ao encurtar os laços afetivos , reduzimos o tempo e o espaço, numa relação encurtamento entre o desejo e a satisfação. Somos bombardeados por anúncios da indústria pornográfica, onde optar por um parceiro sexual é mais fácil do que escolher uma pizza pelo cardápio, desde que o perfil que lhe agrade. Prazeres sexuais instantâneos.

A duplicação, nesse sentido, não é ficcção científica, é mera crítica filosófica da cerne humana, o auto-conhecimento. A alteridade do personagem é atingida pela descoberta do duplo, afirmativamente Tertualiano não sabe dizer quem é, possui o falso conhecimento de si. Em decorrência disso, a angústia do homem pós moderno, exacerba o individualismo e narcisismo. Vivemos num mundo fragmentado, de relações superficiais e efêmeras, somos afetados pelo cotidiano caótico numa sociedade tecnológica. Evidentemente as pessoas estão cada vez mais sozinhas em meio à multidão e que tudo o que fazem ao se relacionarem através dos aparelhos de comunicação e sites de relacionamentos é tentar escapar da solidão de estar só, ou melhor, de estar consigo mesmo.

"Se você ficar sozinho,pega a solidão e dança." (CAMELO, MARCELO)


Patricia Abilio

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