Patricia Abilio

Sou culta, fajuta, sou rasa.

Hot Girls Wanted – Documentário


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O documentário "Hot Gilrs Wanted" aborda a questão da pornografia amadora de forma irreverente e crítica, porém superficial. O sites pornôs tem mais acesso juntos que Netflix, Twitter e Amazon. Ao fazer uma pesquisa simples é possível confirmar esses dados. As garotas são selecionadas através de um site que oferecem "anúncios de viagens", muitas entram em contato, por ser uma oportunidade um tanto quanto oportuna. O empresário através do site Craiglist agencia as modelos de faixa etária de 16 á 21 anos no máximo. A grande maioria das garotas são menores de 18 anos e aceitam a proposta interessadas no dinheiro.

A indústria pornográfica vem se adequando as mudanças, o pornochandada já não faz muito sucesso, assim cada vez mais buscas sugerem que o público alvo (homens) desejam ver cenas reais, mais próximas do amador. Miami é o lugar mais requisitado para gravar as cenas, já que muitas são gravadas sem preservativo, para justamente agradar e dar ao público esse ideal de amadorismo. Na Califórnia é lei que os filmes preservativos nas cenas, caso contrário são burlados. Sabendo disso, muitas empresas do ramo recorrem de forma alternativa para a cidade. O sexo sem segurança, faz com que as atrizes façam exames periódicos, como se isso por si só resolvesse alguns problemas relativos ao não uso de camisinha e outros métodos contraceptivos. Casos de clamídia, gonorréia e outras DSTS são comuns no meio, fora HIV. Mas sobre isso ninguém quer fazer um alerta, pois não é bonito e nem agradável. Evidentemente, os sites que oferecem esses serviços são gratuitos - PRO-AM. Devido ao grande número de acessos a indústria lucra de forma exorbitante, com anúncios e hospedagens em sites.

Mas a longo do documentário, uma dúvida surge. Porque essas garotas procuram esse tipo de oferta? "Dinheiro fácil"? - Em média ganham por semana e 800 US, em um emprego comum, como garçonete de uma lanchonete por exemplo, ganhariam 8,95 US por hora. A oferta é boa porque a demanda é grande e extremamente rotativa. A geração do ter não do ser. Jovens consumistas, que gastam praticamente seu salário em roupas, sapatos e acessórios. As adolescentes tem frustrações e decepções e acabam aceitando facilmente as condições impostas para ganharem dinheiro e continuarem no ramo, mesmo que o empresário fique com 10% de tudo que ganham. As atrizes que aparecem no documentário, tem perfils no Twitter e milhares de seguidores. Diferente do Facebook e outras redes sociais, o Twitter não tem censura ao conteúdo pornográfico, o que facilita que as garotas criem e divulguem seus vídeos e fotos.

Em média essas garotas ficam no ramo de 3-9 meses em atividade, se forem "boas" ou aceitarem fazer vídeos mais específicos, tendo sorte podem ficar até 1 ano, no máximo, tamanha rotatividade. Cada uma ao seu modo vive um personagem, que fingem ser de uma realidade alternativa. Já muitas optam por esconder a profissão da família ou amigos próximos, por vergonha.

Existem uma quantidade extensiva de vídeos com conteúdo violento, pedofilia arraigada. A palavra "adolescente", é o termo mais procurado em sites pornográficos. Em que as garotas são submetidas a violência do corpo, sexo compulsório, dominação, humilhação e apologia ao estupro. Na lógica de uma sociedade patriarcal, machista os vídeos prezam o prazer do homem. Dentro das categorias existem, subcategorias em que existem todo tipo de abuso. Sendo que 40% da pornografia online apresenta violência contra as mulheres. Há certo entusiasmo em celebrar o marketing pornográfico de forma positiva para ser bem aceita. Frequentemente quem assiste é influenciado por imagens de maneira inconsciente e sem culpa ou mesmo remorso algum. A internet possibilitou que jovens garotos fossem expostos a pornografia muito precocemente, imaturos sem que sua sexualidade esteja desenvolvida, e lhes é introduzido nesse mundo pornográfico o ideal de violência e brutalidade como algo normal e aceitável. Como se fosse um padrão, onde toda mulher vai gostar de ser submetida a essas ações.

A pornografia molda nossa sexualidade de maneira pejorativa, e isso evidentemente é preocupante, pois onde estão os valores de igualdade e respeito numa sociedade em que a internet populariza vídeos de sexo com punição do corpo das mulheres? O documentário dirigido por Jill Bauer e Ronna Gradus tem 1h24 minutos e está disponível no Netflix e Popcorn time.


Patricia Abilio

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