Patricia Abilio

Sou culta, fajuta, sou rasa.

O Universo do olhar: I Origins

Viver numa sociedade contemporânea olhar nos parece cada vez mais assustador, o medo não é uma prerrogativa do nosso tempo, pois ver a realidade tal como ela é, parece assustadoramente belo. A nossa sociedade sofre uma cegueira pós moderna, negligenciamos os fatos, vivemos num mundo que perdeu a visão, a mídia difunde milhares de imagens que são vistas como uma verdade absoluta. Quando perdemos a capacidade de ver além do que podemos, criamos um distanciamento eminente, a cegueira generalizada.


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Leia o artigo ouvindo esse som:

Civilizações desde a antiguidade discutem o tema sobre a nossa origem, um princípio que coloca em lados opostos a ciência e a religião, temos alma? Ela permanece ou se dissipa pelo universo após a nossa morte? O filme: "I Origins" - Mike Cahil, 2014 nos conta a história do Dr. Ian Gray (Michael Pitt) biomédico molecular, fascinado por olhos. Em sua tese baseado em seus estudos, prova que nossa visão foi evoluída de forma natural, acabando de vez com a mística de que os olhos são a prova real da existência de um Deus, ou seja que são as janelas da alma.

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No entanto a primeira parte do filme, que se passa antes do prólogo onde conhece os olhos que vão mudar sua vida.Tudo muda quando conhece os olhos de Sofi (Astrid Berges-Frisbey), numa festa de Halloween anós atrás, percebe uma conexão estranha e inexplicável, desde então começa uma busca desenfreada pela dona dos belos olhos e acaba se apaixonando.Uma jovem que é guiada por sua espiritualidade, pois acredita que ela e Ian estão conectados por uma força maior a personificação mística. A narrativa do conflito ciência x religião de uma forma inteligente. Em meio à sua rotina no laboratório, onde conta com a ajuda de sua estagiária Karen (Brit Marling), num mistura de romance-científico, cria diversas sensações, um misto de felicidade instantânea ao longo do filme até o ápice, onde Ian se vê confrontado pelas suas próprias convicções. O ponto alto da virada do filme com certeza uma das cenas mais chocantes/emocionates que vi num longa. Se o tema da narrativa até esse ponto pode ser um pouco lento e clichê, a partir então o espectador se envolve com a história.

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A partir de então a segunda parte do filme, sete anos depois, Dr Ian Gray, já é um renomado cientista, se casa com Karen e vê seu filho se tornar objeto de estudo de um projeto com o mesmo ideal que o seu, mas de uma forma completamente diferente, fato que leva o clima tenso e mórbido do filme a outra patamar. O ponto central marca uma separação no filme, que tem na primeira parte uma trama de destaque ao ceticismo e depois abre espaço para a espiritualidade, numa dualidade conflituosa.

Ficamos tocados com as descobertas inexplicáveis do protagonista que nos remete a uma reflexão de nossas próprias convicções, tamanha percepção sobre o conflito central do filme. São os olhos janelas da alma, espelhos do mundo?


Patricia Abilio

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