nuvem

Um espaço de provocações e tempestades

Rod Silva

Paulista, jornalista, músico e entusiasta da fusão da arte, comunicação e educação como resistência em favor da vida.

A insistência em matar a música

Muitos antigos, por assim dizer, acham que determinados ritmos musicais morreram junto com a decadência mercadológica de determinadas mídias. A frase é dita repetidas vezes por saudosistas "o rock morreu", já que as formas de consumo de musica mudaram e muita gente, simplesmente, não se adaptou ou não se dispôs.


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Um amigo escreveu um pequeno texto comentando sobre como o "hábito de ouvir um disco inteiro acompanhando o encarte" meio que se perdeu nessa geração por conta das novas tecnologias.

Concordo com ele e sempre reforço com os mais próximos que essa é uma experiência única, que mantenho mesmo sem um encarte físico - faz anos que não compro um CD - via plataformas de streaming, principalmente.

Por outro lado, essa brincadeira de elencar 10 discos que marcaram a minha vida me fez perceber algumas questões que são muito próprias desse novo formato de consumir música, que é a abertura e facilidade para experimentar coisas novas.

Não que no passado isso não fosse possível. Mas um cara, fodido como eu, juntava o máximo de moeda possível para ter a possibilidade de comprar, pelo menos, um disco por mês. E escolher esse álbum nunca era uma tarefa fácil. Precisava ser certeiro justamente porque a grana era curta.

E as experimentações musicais ficavam relegadas, quando muito, as fitas K7 que rodavam de mão em mão.

Li uma vez algo como "o excesso de informação é um novo tipo de censura". Estão ai as noticias falsas (fake news) pra corroborar com essa afirmação.

Talvez, hoje, a música esteja no seu auge de diluição por conta da facilidade de acesso e as ferramentas criadas para que isso seja enfiado goela abaixo, gerando uma produção em série de artistas "criados" para vender, hit makers e afins - e isso pode até ser discutido mais profundamente, se é bom ou mau, levando em conta que entretenimento é entretenimento independente dos meios, motivações e objetivos.

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Por outro lado, existe um universo de resistência artística da qual não teríamos acesso em outros tempos, tanto na produção quanto no consumo dessa produção - e aqui pode-se abrir uma infinidade de leques de discussões a partir, por exemplo, das palavras "produção" e "consumo".

Por fim, minha piração tem como objetivo nesse momento evitar algo que parece óbvio para uns e absurdo para outros.

Se fosse resumir numa frase seria "O Rock não morreu". Definitivamente!

E como disse, é uma frase-resumo. Que representa tantos outros estilos criados anos atrás (blues, jazz, gospel, rap, etc), quanto afirma sua convivência com os "novos estilos" como o funk carioca/paulista, por exemplo.

Acredito que o lance é alinhar o radar as novas tecnologias que são a realidade, aprender a conviver bem com elas ao ponto de nosso gosto não ser diluído pelas incansáveis ações de marketing e, ao mesmo tempo, se permitir as possibilidades de oferecer a si mesmo novas experiências musicais!


Rod Silva

Paulista, jornalista, músico e entusiasta da fusão da arte, comunicação e educação como resistência em favor da vida..
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