o infinito é logo ali...

Escrever é como sonhar desperta...

Thiana Furtado

Escritora por paixão, aventureira por conexão, e admiradora de tudo que nos remeta a uma possível felicidade...
Insisto em acreditar na bondade que habita dentro de cada pessoa.
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A tortura não deve jamais ser argumento para atos de desumanidade

A notícia sobre o rapaz tatuado na testa recentemente, reflete sobretudo o desequilíbrio vigente que estamos todos embarcados.


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A notícia de última hora nos quadros que ilustram os noticiários da atualidade demonstraram não só uma barbárie, mas sim, um grande equívoco. Porém, mesmo que não fosse equívoco, vale ressaltar que a nenhum cidadão brasileiro é dado o direito de fazer justiça com as próprias mãos.

Trinta e duas horas depois do agravante consumado, o adolescente de 17 anos que optou por não ter o nome revelado, por questões de segurança, se posiciona dizendo que foi tatuado na testa por dois agressores que foram presos, após o ocorrido.

A vítima foi encontrada por amigos, em São Bernardo do Campo, no sábado, em 10/06/2017. Os agressores covardemente tatuaram e humilharam o rapaz que se diz inocente. Em sua testa deixaram a seguinte mensagem: “Eu sou ladrão e vacilão.”

O adolescente foi acusado pelos abusadores de ter roubado uma bicicleta. Segundo relatos da família, o jovem é usuário de drogas e sofre de transtornos mentais.

O rapaz conta que havia ingerido álcool e que esbarrou em uma bicicleta gerando uma confusão que foi encerrada após o ato criminoso que acabou na delegacia.

Em entrevista, a mãe do rapaz faz a seguinte declaração: “Ele é uma criança, ele é doente, não precisa de críticas, precisa de ajuda, precisa de tratamento.”

Ressalvo aqui, a seguinte pergunta: Se por um ato confuso e distorcido pelos agressores à vítima, penso que, quando o rapaz esbarra na bicicleta, não poderia este, por ser desfavorecido financeiramente e por estar em meio a uma crise psicológica, estar mal vestido, e ter as vestes de um suposto ladrão, mesmo que de fato não fosse?

E justamente, por ser portador de uma doença mental, essa crise existencial não entregaria o ouro para o bandido? Sabemos, por meio de algumas fontes, como já mencionei, que o rapaz estava alcoolizado. Mas, todavia, se contrariando algumas evidências e indo contra a palavra do abusado, se esse rapaz é de fato um ladrão, nos restará o questionamento e a dúvida, pois realmente não temos material suficiente para responder essas perguntas que acabo de fazer.

Tudo que temos é a palavra do adolescente que se justificou afirmando não ter tentado roubar a bicicleta. Resta a cada um de nós, seguirmos a voz de nossa intuição para que possamos tentar compreender o que de fato aconteceu. Penso que, com as declarações da mãe do rapaz observa-se que os familiares ficaram indignados com o delito, e que, se o rapaz fosse realmente um criminoso em potencial, ainda assim se importariam, mas acredito que ficariam de alguma maneira conformados com a situação que se descortinou em torno do rapaz, uma vez que, todo criminoso em algum momento receberá de volta tudo aquilo que esteja emitindo.

Mais uma vez, alguns cidadãos julgam-se no direito de realizar justiça com os próprios punhos, de forma equivocada, o que torna o crime ainda mais preocupante. Mas o fato, além de absurdo, e também inconcebível, passa longe da pauta que em muito lembra uma não então suposta civilidade.

Cabe-nos a pergunta: Que tempos serão estes e que mundo é esse em que estamos vivendo? Será que deixaremos de herança para nossos filhos os resquícios de todo esse desequilíbrio que estamos vivendo em nossa sociedade?

Qual seria nosso papel em meio a esse assombroso quadro desolador que atinge a tantos de nós que ficamos indignados e nos sentindo à mercê de mentes tão conturbadas e violentas? Que mundo é esse que julga sem ao menos ter a convicta certeza de que os acusados são em realidade culpados? E mesmo que fossem culpados, que direitos temos nós de atirarmos pedras pontiagudas em pessoas que, como nós, apresentam os mesmos direitos de civilidade, muito embora as tenha denegrido, infligindo leis que servem para garantir os direitos de toda a população?

Saibamos que por mais culpada que uma pessoa seja, ela como cidadã, possui os seus direitos e, não convém a nós, o papel de malhantes de supostos judas escariotes.

Penso que não vale a pena contaminarmos nossas almas com o pré julgamento alheio. Deixemos esse julgamento atroz para as partes que concernem os "x" de todas as questões. Existem autoridades competentes para isso.

Questões como essa precisam ser discutidas para que de fato a criminalidade não só acabe, mesmo sendo o ensejo de um devaneio, mas que possa diminuir em larga escala todo o seu conteúdo. Não valerá a pena sujarmos nossas mãos para nos contaminarmos com a maldade que chega do outro, isto quando o crime é algo de fato, concreto.

Ressalto aqui, que nada justifica um ato criminoso que violenta e mutila.

Acredito que atos infames advenham de criminosos, mas se algumas condutas forem semelhantes, então, por certo entrarão na mesma sintonia que os indignos corruptores da lei. Julgar o rapaz tatuado por ser usuário de drogas e por apresentar transtornos de ordem mental, é no mínimo algo descabido, e que refletirá muito mais do que um erro no olho do vizinho, mas sim um possível erro do emissor da mensagem esdrúxula que provavelmente se esconde por trás de um suposto olho são.

Convido a todos a refletirem sobre o porquê dessa causa e também sobre o resultado desastroso que almas diabólicas e desequilibradas são capazes de infundadamente ocasionar em nosso semelhante, aquele que se esconde nas paredes revestidas e que se intitula um suposto morador que reside logo ali ao lado…

Convém escancararmos nossa visão a abrirmos nossas mentes, levando em consideração que nem tudo nos é permitido fazer, tampouco nem tudo que convém a nós mesmos deve ser premeditado e executado, uma vez que possuímos discernimento e sabemos exatamente o que deve ser considerado correto e também descabido, em nossa sociedade.

Uma consciência íntegra deitará sua cabeça no travesseiro e repousará tranquilamente sonhando o sonho dos justos, uma vez que este saberá discernir que a vida será justa com todos, independente das coisas que acreditem ser corretas ou aplicáveis.

Que durma tranquilamente aquele que puder fazer isso com a devida sobriedade, não emitindo nenhum juízo de valor, mas sim, por saber que devemos agir em conformidade com as coisas que tenham verdadeiro sentido e que possam impulsionar a evolução de todas as gerações que estão nascendo e que ainda estarão por vir, transformando a realidade densa das esferas deste planeta em um ambiente límpido e agradável de se respirar e de se contemplar.

Isso seria utopia? Talvez, mas ninguém poderá nos impedir de sonhar, muito menos de acreditar...


Thiana Furtado

Escritora por paixão, aventureira por conexão, e admiradora de tudo que nos remeta a uma possível felicidade... Insisto em acreditar na bondade que habita dentro de cada pessoa. Acompanhem-me em minha página: (https://www.facebook.com/amantesfecundosdotempo/).
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