o inusitado é invisível aos olhos.

Reflexões sobre a metamorfose de tudo que hoje parece incontestável

Laíze Lantyer

Nada é tão óbvio que não possa respeitar uma opinião contrária.

13ª Emenda e os primórdios da ZEBRA que elegeu Donald Trump

O documentário 13ª Emenda mostra Donald Trump e também Hillary Clinton, cada um ao seu modo, como cúmplices da política midiática de exploração das minorias. Eis que Reagan volta como sombra de Trump, fomentador de ideias elitistas e perseguidor declarado aos imigrantes. Se um governante é espelho do estado mental da nação que o elege, está claro o porquê do povo Norte-Americano ainda figurar como campeão de transtornos psicóticos.


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A 13ª Emenda diz: “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado”.

Talvez a 13ª Emenda seja reflexo dos primórdios que elegeram Donald Trump. Alguns dirão: deu ZEBRA. Outros buscarão entender o que permitiu que a zebra acontecesse. A origem de todo mal é bem relatada no documentário sobre a 13ª Emenda. A produção nos convida a refletir como uma expressão de exceção “SALVO”. Ao invés de salvar foi capaz de aprisionar mais de 2.000.000 de zebras listradas em 2014. Não precisa lembrar que a maioria das zebras encarceradas são negros. Talvez por esse motivo Obama tenha sido o primeiro presidente dos EUA a visitar um presídio em toda a história dos EUA. Bem, agora ex-primeiro-presidente-negro, pois agora esse país intrigante é comandado por um novo psicótico egocêntrico.

Mas a história dos presidentes norte-americanos é recheada por psicóticos egocêntricos. Como o escritor Marcos Villas-Bôas afirmou em recente publicação que pouco diferencia, por exemplo, Ronald Reagan de Adolf Hitler. A diferença é que este último matava mais os judeus do que prendia, enquanto que aquele primeiro matou menos os negros e latinos, e os prendeu e explorou mais. Acrescentaria apenas que, como os bens dos judeus eram confiscados pelo governo Nazista, sempre foi mais lucrativo judeu morto do que preso.

O documentário 13ª Emenda fala muito de uma pseudoliberdade vivida há séculos pelo povo afro americano. Só que esse aprisionamento não começou neste século, nem no anterior. Isso aí vem desde muito antes dos colonos, escravos e servos no século 17. Na época das colônias, ao término do contrato de trabalho de x anos, os servos recebiam uma tal “taxa de liberdade”. Essa taxa podia, na melhor das hipóteses, incluir um pedacinho de terra.

Tudo isso começou com uma espécie de frisson hipnótico de homens e mulheres. Mesmo que tivessem pouco interesse numa nova vida de “oportunidades” pelas colônias, eram persuadidos a se mudarem para o Novo Mundo. Quando foi preciso construir e atrair mão de obra não escrava e barata não havia discriminação. As famílias que vieram para a América nesse sistema de semiescravidão não foram prejudicadas por um estigma social muito traumatizante. A Pensilvânia era uma colônia com população bastante heterogênea, mas era Nova York a colônia que melhor ilustrava a natureza poliglota do mundo. Tinha de tudo um pouco. Era do holandês ao português. Ou seja, os precursores dos milhões $$$ que estariam por vir.

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Agora, a grande exceção a esse padrão acima descrito foram os escravos africanos. Eles não foram persuadidos, foram tragados de seus lares e pátrias. Para colocarmos um nome politicamente correto...Aí já era escravidão disfarçada de uma servidão involuntária. E, hoje, seus descendentes de séculos depois parecem que continuam a ser tratados como expatriados, mesmo nascidos em território Norte-Americano. A raiz do mal parece ser muito mais profunda do que a simples ponta do iceberg.

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A badalada Harvard, que o ex-primeiro-presidente-negro-norte-americano e sua ex-primeira-dama-negra-norte-americana tiveram a oportunidade de estudar, teve as suas bases fundadas em plena era colonial. Quais mãos suspenderam aqueles muros que dividiram e ainda dividem a realidade dos EUA por tanto tempo? Será que algum negro estudava em Harvard naquela época? Evidentemente que não.

Até conseguir chegar na independência dos EUA o povo penou. A política financeira do colonizador britânico para manter o império em expansão não devia ser fácil. E muito dificilmente eles implementariam uma política justa de fazer o contribuinte britânico arcar com todas as despesas necessárias à defesa das colônias. Até que ponto a questão fiscal influenciou no processo de independência das colônias? Complexo aferir. No entanto, apesar das contradições posteriores, as aplicações das filosofias da Revolução Francesa ficaram evidentes.

Lutar pela independência americana era defender os próprios direitos naturais. Isso não era novidade. Agora, a contradição é pregar na época da independência que todos eram homens iguais com direito à vida, à liberdade e à busca pela felicidade...Mas em pleno século 21 continuar vendendo e mascarando o “sonho americano” de alta receptividade de estrangeiros. Aí não dá. A crise dos refugiados ambientais e de guerra no mundo e a receptividade mascarada dos EUA já diz tudo. O que era um sonho mascarado virou pesadelo escancarado. E agora o monstro do pesadelo tem nome e sobrenome: Donald Trump.

Na hora de construir as bases da colônia, do que seria mais tarde o país mais poderoso e bélico do mundo, a chamada “EU QUERO VOCÊ!” era atrativa. Agora, quando os muros já estão suspensos e bem sólidos não tem reciprocidade certa. Agora o lema é: FORA DAQUI, seu negro, latino, pardo, anão, muçulmano... De qualquer forma, o passe tem uma única $enha. Se você não tem como contribuir para a continuidade do mundo hollywoodiano, do fantástico mundo de Donald Trump, não pode entrar na Di$ney. Não tem dinheiro para investir não passa da fronteira. Aceita que dói menos.

Agora ruim mesmo deve ser para o afro-americano, nascido e criado em território Norte-Americano. Afinal, para o afro-americano nativo viver em um país dividido por fronteiras sociais históricas que não foram ainda transpostas não é fácil. E no governo Trump voltará a predominar a aplicação do regime de exceção da 13ª Emenda. O próximo passatempo do presidente será determinar a caça às bruxas. Leia-se: caça às minorias que não o elegeriam nem por sonho.

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Falar em sonho (ou será pesadelo?)...Foi lá nos anos 60 que Martin Luther Link Jr começou a usar o jargão emblemático: Eu tenho um sonho! Era quase que um tapa na cara com luva de pelica ao modelo de sonho americano vendido aos quatro ventos do mundo. E que foi vendido por todo ex-presidente dos EUA como se fosse o fantástico mundo de Bobby. Ficou bem clara a metodologia empregada pela América do pós 2ª Guerra... Os latinos empregados sem qualificação eram atraídos pelos sonho e eram aceitos porque era preciso continuar construindo o país.

Enfim, dizem que cada sociedade tem o governante que merece. A história de uma sociedade egoísta, mesquinha e escravocrata elegeu Trump. Desde a sua origem como um mero conjunto de colônias pouco conhecidas, os EUA passaram por grandes transformações, se tornaram os precursores da modernização. No entanto, essa mesma nação mantêm um certo nível de persistência no erro moral de vender um sonho que nunca foi possível de oferecer para todos. Sonho esse que foi ilusoriamente vendido por todos os ex-presidentes dos EUA. Só que esqueceram de avisar que todo sonho chega ao fim.

E a pergunta que ficou ao final desse documentário foi: Liberdade, igualdade e fraternidade para quem?


Laíze Lantyer

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