o mundo de dan vanuchi

Um mundo onde me encontro e onde todas as coisas se ajeitam.

Danusa Vanuchi

Para onde todas as pessoas boas foram?

“Não olhe para trás senão você pode tropeçar em um passado desconhecido que já se despedaçou, e nele não há mais motivos para voltar. Ali na frente pessoas boas te esperam, um mundo onde o sorriso é mais importante que o ódio se impõe, as pessoas não sabem o significado da palavra tragédia mas sabem o que é respeito, carinho e solidariedade. Vem, só falta você para podermos começar...”


Quantas pessoas mortas precisaremos presenciar em fotos que impactam o mundo? Quantos links de notícias tristes devemos compartilhar no whatsapp? Quantas vezes mais devemos sair correndo no meio da rua porque desconfiamos de alguém? Tudo isso deve ser cultivado para ser aprovado pela sociedade?

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Como diria Jack Johnson em sua música “Good People”: Para onde as pessoas boas foram? Eu aprendi a desaprender a gostar de TV. Talvez eu seja uma pessoa desligada da sociedade e que em uma entrevista de emprego eu esteja off-line nas notícias e eu seja reprovada (como já aconteceu). Talvez eu me arrependa de não conseguir deixar a TV ligada no jornal, e até tento, mas me alimentar disso só me traz um atordoamento mental. E é aí que eu pego meu livro e abro meu mundo pessoal onde posso encontrar o sentimento que quiser.

Talvez seja isso que a mídia queira, que o mundo gire conforme a música, que é sempre a mesma. Onde as pessoas marcham para a mesma direção: aceitação ou participação.

Vejo pessoas comentando de tragédias e outras reclamando de outras tragédias que não foram lembradas. Jornais são cobertos por fotos de pessoas mortas. Transmissoras de rádio mostram de forma mais próxima possível como João foi assassinado. Televisão mostra o troco de um ataque e deixa certeza que isso é o caminho certo.

E se você não se conectar com essas notícias durante a semana, a conversa no Happy Hour com seu chefe não será positiva, e ainda ele vai pedir para você ficar mais conectado, pois afinal isso também vai entrar nos livros de história futuramente.

Aliás, você lembra do Hitler? Como assim você não sabe direito a história dele? Ele foi importante para a história, é óbvio que você precisa saber. Mas você sabe sobre as torres gêmeas não é mesmo? Tem que saber na ponta da língua porque você estava vivo quando aconteceu o atentado.

E afinal, de que lado estamos?

Não existe mais lado, não sabemos onde tudo isso começou. E eu sempre penso que o ser humano é o único ser pensante, mas o único que sabe cultivar o significado violência.

Tento me guiar para fora desse caminho, mas o mundo é um local fechado sem saída. Já pensei em ir para o lugar onde dizem que não existem estupros nem assaltos a mão armada, mas existem ataques terroristas, já tentei ficar em lugares onde as pessoas são mais abertas e conversam na rua, mas existe toque de recolher, já tentei correr na rua para deixar minha saúde em ordem, mas corri de pessoas que tentaram me abordar.

“Pare o mundo que eu quero descer”. Isso não existe, ou você segue por aquele caminho ou por esse, mas os dois sairão no mesmo lugar, então não existe escolha.

Ou você segue o mundo capitalista para atingir seus objetivos (estudar, casar, ter filhos e envelhecer rezando para que a lei da aposentadoria fique melhor) ou você foge para as montanhas, mas se for descoberto talvez tenha que trabalhar para pagar aqueles impostos que ainda estão te esperando. E lembre-se também, que se optar pela caverna, leve seu jornal porque irão cobrar quando você voltar para o mercado de trabalho (mas não se esqueça de abrir principalmente a parte de tragédias).

Enquanto muitos torcem para a descoberta de vida em outro planeta eu torço contra. É possível que exista vida em outro planeta, mas se outros seres forem descobertos podem ser infectados. Deixem eles, podem estar se alimentando de harmonia e de pessoas boas, enquanto nós só imaginamos o que possa significar isso.

Temos desconfiado de todos, inclusive de crianças andando de bicicleta na rua ou de senhoras que podem ser homens fantasiados para ter uma maior facilidade em um assalto. É nessa hora que alimentamos a discriminação que leva ao ódio e faz o respeito pelo outro se despedaçar. Afinal, se ele não respeita porque eu deveria respeitar o próximo?

Vagas para paz

Cada dia que passa vejo pessoas se entre olhando dos pés à cabeça em diversas situações, em uma dinâmica em uma grande empresa, em um ponto de ônibus, em uma festa ou mesmo na fila de uma padaria. Enquanto encontrarmos motivos para nos sentirmos acima de alguém, enquanto deixarmos o preconceito tomar conta de nós, e a raiva e o ódio nos alimentarmos não seremos ninguém para tentar mudar o mundo.

Vejo pessoas deitando a cabeça em seus travesseiros e orando por Deus por um mundo melhor, mas ao acordar a primeira coisa a pensar é como se destacar mais que outros.

Nunca vi uma vaga aberta para tentarmos ser alguém melhor. Podem chamar o melhor desenvolvedor, o melhor engenheiro, o melhor médico ou o melhor advogado, ninguém terá a melhor iniciativa e resposta de como cultivar a paz. E se tiverem uma boa resposta, não terão iniciativa. Não nos damos bem com um mundo feliz porque o que sabemos mesmo é alimentar tragédias.

A partir do momento que o dinheiro for consequência, que um dia no parque ser mais importante que pisar em pessoas no escritório, que a palavra “jeito diferente” se destacar mais que “o melhor”, que as pessoas se respeitarem, que realmente pensarmos em nos colocarmos no lugar do outro, talvez algo comece a mudar.

Por que não ajudamos uns aos outros? Por que não cultivamos notícias mais positivas? Seria tudo mais fácil, ou talvez um pouco mais fácil.

Vamos começar a dar espaço para o respeito, deixar o sorriso se abrir no rosto e uma simples música tocar. Saia de casa sem o pensamento que algo ruim possa acontecer. Saia de casa pronto para encontrar pessoas como você. Não olhe para trás nas ruas já que dias positivos estão chegando e as pessoas boas estão saindo de casa.


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