o segredo da pausa

O que existe no silêncio dos intervalos?

JULIANA VALENTIM

Nós moramos mesmo é nas entrelinhas, no silêncio dos intervalos. Somos feitos de uma voz que grita e uma voz que cala. Como música! A magia não está no que se ouve, mas no exato instante da pausa

Não leia os comentários

A Internet revolucionou a forma como vivemos. Trouxe muita coisa boa, aproximou pessoas e fez com que o mundo ficasse pequenininho. Mas, por trás do aconchego anônimo das telas dos computadores, há muita gente com raiva do mundo.


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3, 2, 1... Espere! Antes de apertar a tecla final, pense bem. Você tem certeza de que deseja publicar esse conteúdo na Internet? Se optar pelo sim, precisará se desapegar dele. Eu sei que a sua intenção é boa, das melhores, mas quando um conteúdo ganha as redes, tudo pode acontecer.

Que a Internet revolucionou a forma como vivemos, todos sabem. Trouxe muita coisa boa, aproximou pessoas e fez com que o mundo ficasse pequenininho. Mas, como qualquer revolução, há um outro lado. Nesse caso, um lado sombrio. Por trás de seus computadores, tem muita gente com raiva. Essa raiva não é de mim, nem de você, é uma raiva do mundo.

Um retrato disso são os comentários que seguem as publicações na Internet. Muitas vezes, as pessoas não querem simplesmente mostrar o seu ponto de vista contrário, mas sim, atacar aquele que publicou. Não basta apenas discordar, há uma necessidade de ofender, pessoalmente, o autor (ou a mãe dele).

Chico Buarque falou disso, bem humoradamente, em um vídeo muito compartilhado nas redes. As pessoas têm uma raiva, disse ele, mas vamos fazer o quê, ter raiva de quem tem raiva? É melhor deixar pra lá!

O que dizer a uma ex-atriz pornô que resolve ser mãe e, por esse motivo, recebe as piores ofensas por meio de comentários na Internet? O que dizer a uma mãe desesperada que compartilha a foto da filha desaparecida e, em troca, se vê totalmente julgada ao ler os comentários que fizeram ao seu post?

Muitas vezes, a maldade está nos olhos de quem vê o vídeo, o texto, a foto e, por trás do aconchego anônimo da sua máquina, sem entender o outro lado, ataca! Há aqueles que passam os olhos rapidamente pelo conteúdo e, na pressa de emitir uma opinião, comentam sem ter analisado exatamente o que foi dito. Há, também, gente que não quer comentar o conteúdo, mas os comentários das outras pessoas. Quando menos se espera, a discussão não tem mais nada a ver com a publicação, a área de comentários virou uma briga só!

Mas justiça seja feita, há pessoas que postam comentários incríveis, melhores até mesmo do que o texto original. Para o autor da postagem, esse é o melhor resultado. Mesmo que a opinião de quem comentou seja oposta, mesmo que contradiga tudo, se for feito com respeito, aumenta o nível da discussão e faz a gente ter fé na humanidade.

No fundo, o melhor a fazer é desejar mais amor aos agressores e desapegar-se dos comentários. A menos que você seja, sei lá, uma pessoa como o Dalai Lama que provavelmente não recebe comentários ofensivos na Internet. Não, espera! Acabei de ler aqui. Estão chamando o Dalai Lama de... De quê??? Melhor não comentar.

Chico Buarque é que tem razão. Vai fazer o quê? Vai morrer? Se morrer é pior, vão dizer: já vai tarde...


JULIANA VALENTIM

Nós moramos mesmo é nas entrelinhas, no silêncio dos intervalos. Somos feitos de uma voz que grita e uma voz que cala. Como música! A magia não está no que se ouve, mas no exato instante da pausa.
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