o silêncio que vem primeiro

Do silêncio se incia a música e todo um universo que a inspira e por ela respira.

Felipe Hansell

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Leander Rising - Amantes

Somos amantes. Eu, você, ele, nós, todos eles. Sempre fomos. Como se o amor e o desespero fossem pontas diferentes de um mesmo cadarço, onde para você calçar uma relação, precisa amarrar os dois.


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Take me let it mean something. Take me under your dreamin'. Let it mean the thing.

E essa não é a parte assustadora.

O que mais espanta é o desejo de explodir. O desejo de queimar. Arder. A vontade de sentir o gosto da dor utilizando a reação do outro como moeda de troca. A exacerbada geração de valor do primitivo para que o mesmo cresça até se extinguir completamente.

"me pega, permita que isto signifique alguma coisa. Me pega por debaixo dos seus sonhos. Permita a coisa toda."

A banda é húngara, o idioma é inglês. Mas a linguagem é universal.

A banda de metal "Leander Rising", que sempre compõe ou regrava alguma música que fala sobre amor/amantes, apresentou em seu novo álbum "Öngyötrõ", uma faixa muito interessante chamada "Take me". Uma música simples se formos analisá-la a partir de sua estrutura, contudo, o piano cadenciado com uma leve orquestra de fundo, somado à participação especial da cantora Nagy Eszter Mira, gera um impacto muito mais forte do que poderíamos esperar.

A voz de "Nagy" soa com um tom culpa e desespero. Como se implorasse para ter algo que nada significasse. Seus sussurros através da música, constroem uma narrativa muito atraente e os momentos de silêncio beiram a sinestesia do toque. A música te envolve, como uma relação entre amantes onde todos os envolvidos são passageiros e reféns de seu próprio egoísmo.

E tudo isso ainda não é o suficiente para a banda que após um momento de silêncio, apresenta um dueto incrível entre "Leander" (vocalista oficial) e "Nagy". A interação entre o doce, quase frágil de Nagy e o gutural afinado de Leander, trazem um sofrimento bem intenso e formam o clímax da música nos versos a seguir:

"Cold game that we can't compromise; Our broken promises; Keep on wiping my eyes; And how many times we failed; Cause the pressure was way too strong; You shouldn't blame me for all; All the things that we have done."

Já que a música foi traduzida do húngaro para o inglês, vale uma adaptação em português:

"Este jogo frio, que não podemos nos comprometer; Nossas promessas quebradas, continuam lavando meus olhos; E quantas vezes nós falhamos, porque a pressão sobre nós era imensa; Você não deveria me culpar por tudo; Por tudo - que fizemos juntos."

O dueto em si mostra o paradoxo entre o amar e o odiar, entre o construir e o destruir, entre o julgar e o julgar-se. A culpa, mais uma vez, faz seu papel de escambo enquanto os amantes se consomem até desaparecerem por completo.

Porque talvez, ser amante envolve muito mais a vontade de consumir(-se) que não importa a miséria em questão. Não importa a razão mais coesa. Não importa os erros. Nem as falhas. O que importa é a sensação de queda livre em um abismo sem gravidade.

Porque a dor é apenas um preço que podemos pagar com o corpo.

Vale inclusive brincar de tudo isso durante a noite e acordar no dia seguinte com o gosto de fantasia realizada.

"Hear me, let it mean something; Let it burn under your skin; Let it means nothing."


Felipe Hansell

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