o silêncio que vem primeiro

Do silêncio se incia a música e todo um universo que a inspira e por ela respira.

Felipe Hansell

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Latitudes - Hoje e nunca mais

A rotina nos ilude com sua capacidade de tornar as coisas mornas, mas a verdade é que a vida é uma contagem regressiva e esta é a última chance que você tem de viver este momento.


Então aconteceu.

Aquela sensação de que você viu a pessoa e que talvez essa possa ter sido a última vez. Que talvez aquele último olhar, possa ser o retrato de um último momento que ficará guardado na sombra entre os muros de dor e saudade.

A faixa "We met today & Will never meet again" é uma música instrumental da banda americana Latitudes que traz consigo um estilo chamado "Sludge" por conta da "sujeira" em seu som - vale dizer que esta sujeira é representada por ruídos, chiados, e aproveitamento de todo o tipo de som gerado pelos instrumentos. Boa parte de suas músicas trazem temáticas muito introspectivas que necessitam de uma audição mais contemplativa. Encontrei esta banda nos feeds undergrounds do Youtube e o nome desta música me surpreendeu pela sua capacidade de machucar.

Quantas vezes você já teve um último encontro? Com consciência ou não, é sempre uma experiência muito intensa pelo ponto de vista emocional.

Quando isso tudo é colocado numa música instrumental, a semiótica da coisa flui de uma maneira desesperadora. A música não te mete medo. Ela não espanta. Ela não é rápida. Sua estrutura minimalista funciona por camadas, repetindo seus trechos e apresentando cada vez mais profundidade, seja por contrapontos ou até mesmo por peso.

Diversas são as reflexões que podemos ter ao ouvir algo deste tipo, principalmente se estivermos dispostos a dividir experiências já vividas com as emoções que a música apresenta.

Entretanto separei o questionamento mais recorrente:

Sobre o quanto somos frágeis. Sobre como o medo de não ter algo novamente estraga o valor da experiência naquele momento qual a vivemos. Sobre a quantidade de arrependimentos que deixamos pelo caminho por não conseguir aceitar que não temos controle sobre as coisas e que tudo pode fugir e escapar. Perder a garantia de um futuro com a ponta dos dedos.

Falando assim, parece até que a insegurança do ser humano é uma grande teoria da conspiração... Mas infelizmente é uma realidade que não podemos negar. Poucos são os que sabem lidar com o medo da perda e muitos sequer comentam sobre, debatem ou sequer permitem que outros comentem algo.

Alguns podem dizer que esta é uma visão absurdamente negativa e que a música em si é densa, melancólica, que não traz nada de bom.

Contudo, insisto que a música é um desafio. "Nos encontramos hoje e não nos encontraremos de novo". O que você vive agora não vai mais repetir. A próxima noite não será igual a essa que você está vivendo. Não importa que você esteja no mesmo lugar, com a mesma pessoa, do mesmo jeito ou com a mesma roupa... A posse das coisas não garante a repetição dos padrões. O valor gerado pelos momentos vividos se deve justamente pela diferença entre eles e não pela repetição dos mesmos. A rotina nos ilude com sua capacidade de tornar as coisas mornas, mas a verdade é que a vida é uma contagem regressiva e esta é a última chance que você tem de viver este momento.

O que você tiver para fazer agora, faça agora.

O que você tiver para amar, ame agora.

O que você tiver para planejar, planeje agora.

Hoje e nunca mais.

Tudo e nada ao mesmo tempo.

A intensidade como um paradoxo em círculos.

Você é quem decide.

E agora? O que vai fazer?


Felipe Hansell

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