o tóxico e o lúdico

O que somos além de contrastes?

Raíza Teles

''Contemplo o espasmo das ideias...''

Dilema Nosso de Cada Dia

Quem não se identifica com a fase de indecisões e transições?


1743621_882718258415313_5509127768993125486_n.jpg

Perdidos na masmorra entre obter capital e se diluir em si mesmo. O desejo de fazer o que gosta e lucrar com isso tem sido labiríntico e confuso. Estamos imersos e presos no próprio sistema que nos coloca em uma redoma de vidro. A palavra secular é: Estabilidade Financeira. Fiz um curso ao qual não me agradava o ambiente exatamente por esse motivo, no direito a única palavra é essa, com ressalva à obsessão gradativa por concursos públicos. ''Está feita na vida se passar'', a questão, se alguém me esqueceu de avisar, é exatamente essa? Vou ter o que comprar, mas vou ter como me satisfazer com isso? É uma pergunta que cada vez menos as pessoas fazem. O dinheiro nos move na atualidade, e é fato que a falta e a necessidade traz uma condição até infeliz, limitada e por vezes, humilhante. Ninguém quer passar por isso, necessitar da ajuda de outrem que pode se transformar em um tormento, levada à uma implícita condição que pode gerar servidão e troca de favores. Não criar sua própria independência, é também dor, algo que fere nosso orgulho, liberdade, e até prazer. Conciliar o prazer com o dinheiro é uma questão metodológica que tem sido até muito discutida, e pouco utilizada. A falta de recursos, de direção, mobilização não conduz a caminhos, só a limbos. A impressão que tenho é que estamos na era de segurar tochas, o caminho mais ''iluminado'' e seguido por vários parece ser o mais correto, mais exato, seguro, e aparentemente concreto.

tochas.jpg

Até que um cargo altamente renomado, e uma breve tosse para enfatizar o que digo, rentável, se traduz na sua prevista vontade de ter todos os pontos acima, segurança, independência financeira, status e a história de sempre. E aí? Você volta pra casa no seu incrível carro novo com câmbio automático e direção hidráulica, um descanso na banheira com incenso e ambiente aromatizado, e então surge uma agonia e uma inquietação, ou melhor dizendo, insatisfação. Oras, que raios precisa mais além do que conseguiu conquistar com o dinheiro? Não intento discutir no tópico a filosofia da satisfação porque é fato que o instinto é inconstante, e a questão se duela por vários retratos, moldes e ângulos em um extenso corredor de várias portas dubitáveis. Não vou tão a fundo, não é o propósito e a intenção com um tema sem multifaces, a questão nesse sentido é só uma: Quando o profissional e o pessoal podem sentar na mesma mesa do jantar? Um pouco de coentro, curry, páprica, chimichurri e a mistura dos temperos na comida pode ser fatalmente desagradável.

165887_236319906471277_1951668152_n.jpg

Há quem largue cargos altos e muito bem pagos para viver uma vida mais calma com o salário mínimo. Poucos casos, mas a questão é que existem, e independente da probabilidade, há quem jogue tudo pro alto e de um empresário de multinacional vende discos na avenida santa cruz com a 10 em um sebo alternativo. Acho que deu pra entender o meu ponto, talvez esse post seja um apelo. – O que é mais importante? Como podemos realizar o mais lúdico sonho em realidade que financie o pão do dia diário? Estamos caminhando nesse modo de vida para sermos independentes ou autodestrutivos? Que as perguntas deixem um senso ou contrassenso de indagação, e permitem a quebra, fusão, ou até mesmo a bancarrota de uma questão tão atual e sensível ao seu próprio idealismo, influenciado pelo meio, e as lacunas de um subjetivo vazio pessoal, pela ingratidão do próprio processo mecânico e furtivo de uma situação imposta, provendo a matéria e sufocando os anseios. Encarcerando o proletário a comer pelas bordas, e deixar a calda de fora. Na metáfora para finalizar pode ser apenas a sua essência se esvaindo pelo ar.

4a433c63372bf0ae55605ae8a08ca903.jpg


Raíza Teles

''Contemplo o espasmo das ideias...''.
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/recortes// @destaque, @obvious //Raíza Teles