o tóxico e o lúdico

O que somos além de contrastes?

Raíza Teles

''Contemplo o espasmo das ideias...''

Cidadão Ocidental, Caricatura Nacional

''Quem são os que acham ser por ter?''


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''Quem sou eu que sei conhecimento jurídico e não tenho conhecimento das rédeas da minha própria vida? Que faço eu com conhecimento de leis, ordenamentos, decisões do supremo, de súmulas, ementas, e não sei administrar os eixos das minhas próprias ruínas?

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Quem sou eu que passo em todos os concursos, ganho mais de 40 salários mínimos, compro roupas, calçados, viajo, faço festas, e nego esmolas às crianças de rua descalças, famintas? E também àquela parte dizimada e excluída social, que vivem como coitados, mendigos com hálito de cachaça que se aproximam do meu porsche matizado?

Quem sou eu que julgo deus e o mundo, me faço de cego, surdo e mudo, ignoro quem de ajuda precisa, imponho juízos de valores e ofendo uma lista crescente de indigentes, que lhes falta a arrogância de ser um cidadão de renda como eu. Meu estilo blasé, minha estátua de poder, meu manto envernizado, meu terno de figura autoritária, de cidadão aristocrático.

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O que sou? Um traço social, um cidadão ocidental, uma marca da espinha dorsal? Um símbolo circunstancial? Quem sou? um ser des(H)umano, uma caricatura nacional. Um gesto de um não manifesto, curvatura da coluna e balanceio da cabeça? - A submissão do vínculo empregatício estatal. Perdendo o que há de intrínseco e verdadeiro em mim no abandono vocacional, conjugando no verbo de minha debilidade para acrescer uma busca de evolução mental.

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Mas isso requer tempo pra pensar, ler, e desenvolver. O cotidiano me ata. ''Eu (Cidadão Ocidental)'' me ato porque sou fraco. Me convém julgar a vida de outrem porque assim mascaro o vazio da minha, preso e limitado aos afazeres que sou obrigado. Não sou um homem livre que pode falar ''Eu me permiti evoluir, e o que me é imposto vá se foder, conjuntamente com o que pensam de mim''. Me deixei ser preso pelas regras, dogmas, tabus, padrões. Sou essa caricatura nacional de brasileiro que empurra com a barriga pra ganhar renda fixa, e me perder nos moldes do capital, o que teria eu pra engrandecer?

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Que faço eu nesse posto, com minhas medalhas de ouro reluzente estancadas no verniz de madeira que com o preço que arrematei no leilão, poderia alimentar diversos leões.

Ser figura de motivação? Não. Não. Apenas sigo o que a regra manda. Me ver como ser movimentador de ideias que condicionam bem estar, humanismo, e superar as falhas que nutro em maledicências e atos que até mesmo são auto condenáveis, podendo ser melhor quando não uso minha língua pra queimar, engasgar com meu próprio veneno. Inspirar ao invés de excretar. Filtrar, ingerir o que me faz bem e expelir o mau. E se esse mau contamina a quem estou perto, perceber que o símbolo de cidadão de convenções sociais, e pouca imersão de sua própria mente, pede, grita por evolução.

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E então pego, itinerante, de flagrante, tento escavar peças para formarem um significado. Um buraco se abre e me engole. Caem junto a mim esse papel que uso para acrescer a matéria de um bom consumidor, e nada mais. Que me faz agir como um prepotente e impostor. Minhas vestes esvoaçam e desnudo vejo que sem os títulos inventados nada sou. 11144949_1425200934455542_3174056550761289681_n.jpg

Apenas a dimensão do buraco que existe no ser plástico e moldável que me acorrentou parece abrir-se mais. Andando em círculos, travando outra objeção cíclica, percebo que se o buraco ''Sou eu - Cidadão Ocidental'', que segue a cartilha, nutre preconceitos e estigmas, o tamanho dimensiona se expondo, e os espaços ocos dão a impressão de estar apenas submerso. Naufragado por diversas convicções de erros e falhas não desenvolvidas e intactas pelo comodismo.

A virtude do recado pro ser que identifica-se com esses traços podem ser uma maneira de transcender em si mesmo. Reconhecer que nada traz pra si portando desse jeito. A razão não é o que pensas e as opiniões que construiu pro seu mundo. Ela não é a sua verdade, é seu achismo. O alcance do impacto por mutação é a coerência de ser um ''Cidadão Ocidental digno, e não caricatural''.

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''Quem és?''


Raíza Teles

''Contemplo o espasmo das ideias...''.
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