o tóxico e o lúdico

O que somos além de contrastes?

Raíza Teles

''Contemplo o espasmo das ideias...''

Antítese viva

Quem são eles? Quem eles pensam que são?


Houve um caso muito sério onde eu moro (Goiânia - GO) que já é chamado como ''Caso Mateus Ferreira da Silva''. Onde a notícia está pautada como em principais no google. Em curtas linhas, um caso de atrocidade policial contra um estudante que não fez absolutamente nada além de protestar pelos seus direitos. Um protesto aberto contra reformas trabalhistas e previdenciárias. O PM? - Capitão Augusto Sampaio. Reparem, Capitão. Enquanto o estudante Mateus Ferreira da Silva foi agredido com um cassetete que quebrou em sua testa por apenas correr do abuso de autoridade, a Polícia Militar de Goiás afastou das ruas o capitão Augusto Sampaio, subcomandante da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar. AFASTOU. Depois dessa comprovada injustiça com fotos e vídeos viralizados.

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Sim, é um apelo. Todos nós podemos vir a ser o Mateus enquanto houver atos impunes. O que a polícia tem se tornado? Ao invés de proteção que deveria ser de sua atitude costumaz, virou outro perigo para lutar. Ainda há apoio ao capitão que causou traumatismo craniano no estudante Mateus. Com direito a um café da manhã preparado a ele, o capitão, enquanto o tenente coronel o apoiou utilizando um argumento débil e taxativo de que o ato do protesto era de terrorismo. ''O que está acontecendo?'' É necessário um grito? Uma nova forma de poder tentar ter voz, além da minha ida pessoal na manifestação a favor da justiça pelo Mateus e, sim, a favor da desmilitarização da polícia. Em frente ao MP-GO, e apenas fui barrada de entrar, contestada sobre minha legitimidade de estar lá, e pedir provisões. Citando minha formação em direito e ouvindo cinicamente ''Não sei se você chegou a formar, mas... Essas coisas demoram''. Não me diga! Procuramos ter propósito e achamos mais despropósitos. A indignação traz marcas, para o estudante que passou 18 dias no Hospital de Urgência de Goiânia (Hugo), sendo 11 dias na UTI, trouxe também cicatriz.

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Temos um jovem de 33 anos que passou por uma cirurgia de 4 horas pra reconstituição na testa onde o cassetete do policial quebrou quando este, Capital Sampaio o imediatamente imobilizou apenas por estar correndo pela direção contrária à exata repressão policial por um protesto. No qual descaradamente, certo dia virou terrorismo o ato de manifestar. Se não há argumentos para justificar a covardia ocorrida no dia 28 de abril de 2017, então não digam nada, e façam o seu trabalho que é prestar punição devida ao agressor, PM GO.

O (Lixo) Associação da PM em Goiás emite nota ao Fantástico após anúncio da entrevista com estudante da UFG Na nota assinada pelo presidente, o tenente-coronel Alessandri da Rocha Almeida, a Assof ressalta que ''infelizmente no Brasil tem sido perseguidos e tratados como bandidos ''policiais'' (cof - cof), e os ''criminosos'' sendo tratados como herói.

Olha que manobra mais pobre, inversão de valores mal feita por falta de justificativas. A polícia não está fazendo NADA, não deu punição, nenhuma medida para o capitão agressor, e assim desviam o assunto. Se fosse um ''criminoso'' que furtou uma bolacha por fome já estava atrás das grades. Me digam que não é só eu que vejo essa disparidade. Por isso necessitamos de um artigo que tenha o teor de um apelo!

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Eu tive que procurar novamente ver o conceito do que entendemos por protesto, por indignação, por mobilização consciente. Estamos passando por um período atípico, cínico. Quando saímos da esfera de reclamar na rua nossos direitos que não são assegurados, e podem causar um atentado à vida e migramos pra mídia, internet também deixamos nossa cara à tapa, espero que não haja uma barbárie a mim por escrever um artigo de opinião que expõe o que realmente há. Correrei os riscos mesmo assim.

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Tentamos indagar qual é a nossa direção, nos dar sentido, finalidade para que ocorra realmente uma desmistificação de que o brasileiro é acomodado. Estivemos inertes por muito tempo, algo que quando há pessoas como o Mateus para reivindicar direitos, vítima dessa violenta ojeriza policial, que é literalmente abafado. Como poder evoluir e ter mutações construtivas pra vida se somos cerceados até mesmo para falar. Tenho que calar também meus dedos?

Queremos nos dar um sentido e caímos num vazio, engolidos por algo sugado como um buraco negro, mas cheio de armas, caos e desumanidade. Direitos humanos? Justiça? Estamos usando palavras que viraram conotativas? Não existem, mas somos persuadidos a acreditar que algo vai ser feito, PUNIDO, IMPEDIDO, reparado – Impossível. Mas ao menos que a palavra impunidade não seja em vão, porque se há uma porcentagem pequena pra acreditar que há uma funcionalidade que se efetiva nesse embargado, cheio de regras e represálias, com prazos para validar num inquérito policial, uma situação NÍTIDA de abuso de autoridade e violência massacrante. Ainda, ser barrada onde em cinco anos praticamente perdidos da minha vida estudando uma teoria FALHA, estando do lado de fora do Ministério Público onde se denomina ''pai'' dos cidadãos e assegura em TESE os direitos, apenas grunhiu-se uma voz com tom em proporção aumentada para o pavio e demonstração de poder, - Como você estudou direito, você sabe como funciona o trâmite. (Ou como não funciona?)

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Como citei em outro artigo: ''É inegável as empilhadeiras cotidianas de tragédia a cada dia. Nossa queda são nossos suspiros surdos, nossas vozes mudas, e todo o -quebra pau- lá fora e nossa ótica banal por dentro. O fim, se me permitam, não me parece estar associado com as falácias que até então não surtiram efeito, perdoem-me pró-maias, a questão é, terremotos, vulcões, tsunamis, explosões: Somos nós.''

O apocalipse nosso é o de cada dia, a explosão, a barricada, a queda se perpetua em cada notícia exteriorizada e não exteriorizada do jornal. É quando você anda de dia e o sol que pega na sua pele arde e você sabe o nome do culpado, não por nomenclatura, mas pela sua assimilação racional, se é que ainda resta. Ou aquela série de assassinatos em que te faz temer sair, e o descaso nu e cru de viaturas que rondam seu bairro e comem fast food enquanto patrulham e deixam escapar um suspeito. Ou como no caso, são os suspeitos, de fato, o criminoso e é encoberto pela hierarquia. Até quando?

manto-das-sombras.jpg Eis o manto em que nada acontece com quem tem poder!

''Não temos uma guerra mundial, não somos palestinos, israelenses, e não há bombardeamento no nosso país cheio de músicas monossilábicas, comportamentos engessados, estruturas mortas, e pernas amputadas. Temos uma guerra interna, falta de identidade, e principalmente ausência gritante diante de surdos ouvidos e perda de foco, força de vontade, ação e o verdadeiro urro que se engasga entalado na garganta de vários brasileiros. Diariamente há balbucios, murmúrios, lamentos invisíveis, o trombone e a ação foram enterrados, há resquícios apenas de fluídos, partículas ao léu, pequenos detritos do que pode mover uma ação consciente.''

E quando há uma ação consciente, como a do Mateus que simboliza cada um de nós que quer justiça e mudança, a ''força'' policial o coloca no hospital com traumatismo craniano. Jogam bomba de gás e por ele se precaver tampando a boca para não inanição de sua respiração, transformam o fato citando ser uma ''máscara'' porque aparentemente os policiais tem assistido mais V de Vingança do que a sociedade não suprida em carência de ação.

''Nossa política é não ter política, não ter fôlego, voz, ato, é somente aceitar o imposto, e seguir o que é escrito por mãos de parkinson, diante a supremacia desdita e contrastante do dia.'' Porque se não aceitarmos paramos na UTI.

Art 5º da CF, me explique porque isso é paradoxal? Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

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Na efetividade de problemas que somos oprimidos e atravancados pela ineficiência pública, que requer diante a postagem que pode promover mobilização para conter a ausência de proteção que se procura. Vamos lutar.

Se nos é conscientizado a falar, mostrar, reivindicar, se tornar cidadão ativo, as circunstâncias começam a se agravar, a ser abafado, mistificado por palavras de ênfase como terrorismo pelo desespero das autoridades policiais para não dar satisfação. Melhor usar palavras hiperbólicas, do que mostrar resultados, não?! Que esse grupo que não se intercepta que seja calado, pois falam asneiras e não agem à prol da comunidade que é de sua responsabilidade manter seguro o ambiente, e não trazer insegurança e pasmo à população, se assim for, a desmilitarização policial se tornou tão necessária quanto o ar. Pois os mesmos usam artifícios: uma dispneia coletiva em manifestações. Utilizar terrorismo como palavra de efeito. É forma de salvar suas peles mortas. Mitigadas de suas mixórdias agravantes.

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Temos tantas coisas para nos lembrar, Mateus, Robertinho que foi assassinado em casa por policial, todos eles são nós. E esse anseio para um BASTA tem que se impor, antes que eles ponha nossas cabeças no prato de jantar à cada cerimônia de apoio à um PM que fez alguma barbárie. Deixo claro que não generalizo, em toda regra, há exceções. Apenas precisei digerir uma concepção multifacetada que tem se mostrado cada vez mais evidente nos dias que se seguem. Não há uma sensação de dever cumprido. Está faltando humanidade.

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Não deixemos que tudo se perca, que tudo não passe de um urro sofrido que não evolua. Dê um significado ao que te motiva a querer justiça, em seu sentido nu, cru e exato. A finalidade de uma luta que se pretende mudar. A nossa luta não é para viver de aparências, é para viver com dignidade. Com justiça, respeito, moral, igualdade, segurança aos civis. Movimente não só o seu corpo, mas também o seu modo de como estar hábil a requerer mudanças práticas. Isso faz uma grande diferença. Vamos marchar para o mesmo lado, e se não temos segurança na rua que usemos todos os papéis precisos para chamar a atenção até o STF ou a corte de HAIA. Não há mais como continuar assim.

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Você tem fome de quê? Você tem sede de quê?

A conscientização da manifestação a prol de valores que precisam ser nutridos e não cerceados! Utilizados de violência, deturpando o sentido dos justos que protestaram com fundamento e consciência. Não há sentido se não houver providência em um caso rocambolesco que pode ser jogado ao limbo da insignificância porque o PM tem poder hierárquico. Não é aceitável em um país democrático, onde em tese todos somos iguais perante à lei. Capitão Sampaio da PM-GO precisa ter uma punição pela sua exacerbada agressão!

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Quando temos em nós, uma alma que grita, ela nunca adormece. Ela se camufla, mas nunca perde o interesse. Fica descrente pela falta de desenvolvimento de práxis, mas arregala os olhos, embrulha o estômago e não fica dormente diante o cúmulo. E espero que por certa ''voz'' deste artigo, coaja alguma incentivação que progrida à justiça do Mateus, e de tantos outros como nós, tendo nossa saúde em periculosidade por um outrem sem treinamento, com ego e poder.

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Obstruindo a ideia de um ser mandante e outro mandado, concernente a sua devida autoridade e contribuição para um quadro social desvirtuado, em sua maioria, de um propósito realmente justo, trocado por mazelas de deficiências sociais.

Com o forte senso de justiça dar-lhe-emos voz aos que se calam ou são abafados pela impotência do paradigma projetado, falho e incompleto. Que seja necessário mudar o significado de acomodação para evolução.

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Raíza Teles

''Contemplo o espasmo das ideias...''.
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