o vácuo

As paradas da vida pós-moderna.

Lucas Shiniglia

Sei lá. Sem ter muito o que fazer... eu escrevo. Uma rabiscada aqui, outra ali; às vezes me surpreendo ao ver um texto coerente na minha frente, então — ao invés de colocá-lo em uma pilha de textos anônimos — eu o publico aqui

Sobre a personalidade contemporânea

Posicionados em meio a um novo arranjo das coisas, é preciso que sejamos capazes de desenvolver um novo comportamento que nos permita usufruir, de maneira eficiente, a vida em toda a sua nova amplitude, em todas as suas novas possibilidades.


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É de se espantar ainda nos depararmos com julgamentos precisos e imutáveis. A maioria das pessoas se mostra obsoleta e carente de percepção, pois até mesmo o observador menos atento é capaz de perceber que os conceitos, no mundo atual, possuem uma volatilidade alucinante; tudo se locomove com uma velocidade absurda, o fluxo da vida e o das informações se tornaram incrivelmente acelerados, fazendo com que as concepções sobre o mundo sejam incrementadas e alteradas a todo o momento. Em meio a esse fluxo louco, é de se espantar que nos fixemos em conceitos imutáveis, fazendo-me mais específico: Tornou-se antinatural nos fixarmos a conceitos imutáveis.

Aqueles que se deixaram levar pelo superfluxo observam espantados as teimosas ilhas fixas, que ainda insistem em conservar conceitos que se mostraram falhos e incompletos. Dotados de pensamento veloz e possuindo conceitos flutuantes, os integrantes da nova era se deparam com um mundo de dimensões vastas, cheio de possibilidades e oportunidades. Nessa nova vida, sem parâmetros, nada restringe a nossa capacidade de observação, não possuímos nada definido, o que nos permite enxergar todos os caminhos.

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Nessa nova era nossos desejos são explorados, não mais permanecendo por longos períodos, não mais sendo desenvolvidos de maneira exagerada pela nossa imaginação — o que sempre acabava por nos afastar da realidade, acabava por nos impedir de enxergar a realidade —, não mais permanecemos distraídos por causa de um objetivo longínquo, que, em nossas mentes, se tornou exageradamente incoerente; as nossas experiências nos permitem estabelecer conceitos mais próximos à realidade, assim como impede que estruturemos toda a psique em função de um desejo que não foi realizado. Todas essas novas condições nos permitiram encarar o vazio existencial, e, diferentemente do que a maioria das filosofias anteriores preconizaram, ele é absolutamente incrível.

Quando alcançamos o Nada, presenciamos o fim do querer, o fim do sentimento; nele o mundo simplesmente se expande e, destituídos do nosso ego, deparamo-nos com a liberdade absoluta, que não mais é opressiva. No vazio, todos os caminhos podem ser seguidos, qualquer associação pode ser feita. Quando essa base infinita se alicia à imaginação, deparamo-nos com o perfeito indivíduo contemporâneo, que sente as coisas da maneira mais próxima à realidade e possui a capacidade de definir os rumos mais evoluídos.

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A mentalidade contemporânea é extremamente mutável e extremamente impressionante. A nossa era é totalmente diferente de todas as anteriores, tudo o que é sólido tornou-se incoerente, e os objetivos foram abandonados. O microcosmo da existência humana nunca antes foi tão plural e relativo; talvez, essas novas condições permitam que o ser humano progrida em proporções nunca antes imaginadas.


Lucas Shiniglia

Sei lá. Sem ter muito o que fazer... eu escrevo. Uma rabiscada aqui, outra ali; às vezes me surpreendo ao ver um texto coerente na minha frente, então — ao invés de colocá-lo em uma pilha de textos anônimos — eu o publico aqui .
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