o vácuo

As paradas da vida pós-moderna.

Lucas Shiniglia

Sei lá. Sem ter muito o que fazer... eu escrevo. Uma rabiscada aqui, outra ali; às vezes me surpreendo ao ver um texto coerente na minha frente, então — ao invés de colocá-lo em uma pilha de textos anônimos — eu o publico aqui

Egoísmo: a norma social

“Por fim, todo o conhecimento, toda cultura, todas as normas de conduta e todos os governos são embasados no egoísmo. Aqueles que não são egoístas, são loucos!”


“Age de tal maneira, que aquilo que você definiu como máxima possa ser utilizado como parâmetro para as condutas de todas as outras pessoas.” Até mesmo o imperativo categórico tem como base o egoísmo e visa estabelecer um egoísmo racional, que permita a convivência das pessoas em sociedade. Esse tipo de premissa é imprescindível para a coexistência humana; em um mundo onde o egocentrismo é lei, é preciso estabelecermos limites que impeçam que o culto ao ego destrua tudo.

Almejando o aprimoramento das interações entre as pessoas e o aprimoramento das sociedades, alguns seres egoístas ficaram incumbidos de elaborar códigos de conduta, que aprimorassem a interação humana. Esses legisladores obtiveram o poder de estabelecer normas sociais após se mostrarem exímios indivíduos egocêntricos, após se mostrarem indivíduos exemplares, que seguiram à risca as normas egoístas vigentes, o que lhes permitiu avançar na hierarquia social, até o patamar de regentes das condutas sociais.

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Tendo como base essas almas diminutas, todos os indivíduos se veem impelidos a agir de determinado modo. Dessa maneira um ciclo vicioso é estabelecido; a alma de todas as pessoas será diminuta, irá almejar apenas o benefício particular e não enxergará nada que não agrade ao ego.

Em meio a essa fórmula social simples, deparamo-nos, a todo o momento, com os egocêntricos inconsequentes que, em sua sede insaciável de promoção pessoal, desprezam tudo aquilo que é externo ao indivíduo. Esse tipo de personalidade será reprimida, punida e excluída pelos demais integrantes da sociedade. No extremo oposto, desses egoístas patológicos, encontramos a constituição mais rara da psique, sendo ela a constituição altruísta, que possui uma alma vasta e que não cultua o ego; esses indivíduos, por não se enquadrarem nos parâmetros sociais, também serão desprezados e excluídos pelos demais integrantes da sociedade.

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Para esses indivíduos de constituição rara, os códigos morais são inúteis. Eles, por si só, repousam no solo da virtude; suas ações são sempre virtuosas e almejam sempre a melhor condição para o todo. Além disso, por serem destituídos de ego, não possuem mecanismos de proteção e deslocamentos, o que lhes permitem enxergar um mundo mais real e mais amplo do que aquele com o qual se deparam os indivíduos egocêntricos.

Após ser descrito como se porta uma personalidade rara, podemos perceber o quanto as ações “benevolentes” dos seres egoístas são insossas e visam apenas o bem próprio. Essa característica é gritante à percepção das pessoas e não foge da percepção do próprio executor das ações; para eles, a seguinte afirmação sempre lhes será evidente: “De bom grado sirvo aos amigos, mas infelizmente o faço com inclinação, e então, amiúde, corrói-me o interior, visto que não sou virtuoso.”


Lucas Shiniglia

Sei lá. Sem ter muito o que fazer... eu escrevo. Uma rabiscada aqui, outra ali; às vezes me surpreendo ao ver um texto coerente na minha frente, então — ao invés de colocá-lo em uma pilha de textos anônimos — eu o publico aqui .
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