o vácuo

As paradas da vida pós-moderna.

Lucas Shiniglia

Sei lá. Sem ter muito o que fazer... eu escrevo. Uma rabiscada aqui, outra ali; às vezes me surpreendo ao ver um texto coerente na minha frente, então — ao invés de colocá-lo em uma pilha de textos anônimos — eu o publico aqui

O que quero ver

Uma breve divagação sobre aquilo que gostaria de encontrar por aí...


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É isso o que quero ver, o rosto de uma pessoa que não se importa com nada.

A face de alguém que sabe muito, tem pensamentos profundos e não mais possui ilusões.

O aspecto de quem é capaz de controlar seus sentimentos e desejos; que é possuidor de uma força profunda e selvagem, que vem do subsolo e pode ser direcionada para qualquer objetivo definido por essa pessoa rara.

A característica que está relacionada com aqueles que passeiam facilmente pela vida, sem preocupações, e que são capazes de fazer piadas e rir de tudo, a todo o momento. Que mantêm um semblante indiferente, não por causa de sua frieza, estupidez ou incapacidade de compreensão, mas sim por causa de uma sensibilidade exacerbada que oferece sentimentos avassaladores, que, no entanto, foram racionalizados com precisão, e que, por isso, deixaram de ser misteriosos e intensamente incontroláveis.

Eu almejo encontrar indivíduos capazes de escolher ter uma concepção satisfatória e empolgante acerca de tudo com o que se deparam, que conseguem aproveitar todos os momentos de suas vidas e fazer com que todos as experiências se tornem significativas, indispensáveis e especiais, ao invés de viverem rancorosos, cheios de mágoas e tristeza, como a maioria das pessoas.

Quero ver os despreocupados, que são capazes de criar suas próprias interpretações com relação ao mundo, que possuem múltiplas perspectivas, sendo elas totalmente discrepantes, quando comparadas; quero estar próximo daqueles que não mais possuem uma alma centralizada neles mesmos e conseguem ver as coisas e criar conceitos e desejos que estão além de vontades puramente corporais.

Tento encontrar os possuidores de espíritos vastos, cheios das mais variadas perspectivas, mutáveis e livres, que não se importam com absolutamente nada, mas, mesmo assim, são capazes de direcionar todas as suas forças em direção a uma meta definida por eles, conscientemente, são capazes de gastar toda a sua energia se empenhando na realização de tais objetivos, alcançando, muitas vezes, a exaustão com suas tentativas, não porque eles realmente acreditam em recompensas para aquilo que se propõem a fazer ou têm ilusões em relação ao que poderão obter, mas, diferentemente das demais pessoas, apenas agem de forma intensa e selvagem para que possam explorar mais amplamente a vida, para que possam aprender mais, tornarem-se mais experientes, mais sábios e melhores jogadores.

É isso o que quero ver!


Lucas Shiniglia

Sei lá. Sem ter muito o que fazer... eu escrevo. Uma rabiscada aqui, outra ali; às vezes me surpreendo ao ver um texto coerente na minha frente, então — ao invés de colocá-lo em uma pilha de textos anônimos — eu o publico aqui .
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