o vácuo

As paradas da vida pós-moderna.

Lucas Shiniglia

Sei lá. Sem ter muito o que fazer... eu escrevo. Uma rabiscada aqui, outra ali; às vezes me surpreendo ao ver um texto coerente na minha frente, então — ao invés de colocá-lo em uma pilha de textos anônimos — eu o publico aqui

A literatura é relativamente boa e útil

“Muitas vezes, a leitura de um livro não é necessariamente apenas um entretenimento, podemos muito bem fazer uso de muitos textos para solucionar os nossos problemas na imaginação.”


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Algumas poucas pessoas têm realmente a capacidade de compreender o quanto os livros são importantes, o quanto são ferramentas poderosas, capazes, sim, de causarem impactos grandiosos e duradouros nas vidas das pessoas. Para esses indivíduos, um tanto raros, que possuem a capacidade de realmente digerirem um livro, de realmente sentirem e, até certo ponto, vivenciarem experiências alheias, a imaginação nunca permanece a mesma, sendo, constantemente, ampliada, através da aquisição de novas perspectivas, consequências e vivências. Ao mesmo tempo em que se amplia a capacidade de observação sob diferentes pontos de vista, amplia-se a capacidade de objeção a crenças tidas como sendo inquestionáveis, a condutas e sensações tidas como indispensáveis.

Essas consequências, muitas vezes indesejáveis, podem trazer à tona aspectos existenciais muitas vezes desesperadores. Uma existência sem subterfúgios, sem ilusões, sem pátria, em meio a mais absoluta liberdade, ainda é um fardo muito pesado, até mesmo insuportável, para o ser humano e sai, ainda vã, filosofia.

“Você deve tomar cuidado com a literatura, é um caminho perigoso, muitos que se arriscam nunca mais voltam. Você tem de estar disposto a permanecer absolutamente sozinho, sem ser influenciado por ninguém, sem ter ninguém em quem se refugiar, ninguém mesmo; é preciso desenvolver suas impressões até o ponto de não mais conseguir se identificar com ninguém, não mais possuindo a possibilidade de encontrar alguém com quem compartilhar seus pensamentos e experiências, alguém que possa fazer com que você não presencie o desespero profundo e desolador.”

“Geralmente, um professor de boxe francês executa um trabalho, por onde passa, muito mais útil do que, por exemplo, um tipo como Rousseau, que em qualquer localidade onde se instala não deixa pedra sobre pedra, demoli tudo!”

Os leitores mais sensíveis têm conhecimento de tais riscos, aspecto esse que os fazem olhar para a literatura, algumas vezes, com certo receio, tornando a valorização, de tal atividade, mais contida, sendo, até mesmo, suprimida por completo em muitos casos, em muitos momentos de suas vidas. Essa característica faz com que os verdadeiros leitores — aqueles que realmente vivenciam e adentram as histórias — deixem de indicar e valorizar sobremaneira, e sem qualquer tipo de distinção, a literatura, deixem de recomendá-la para todos os casos e para todas os mais variados indivíduos e personalidades, como é o caso de muitas pessoas, principalmente pseudointelectuais, por aí.

Os “defensores” assíduos da literatura, que a todo o momento divagam sobre a necessidade de ler constantemente, sobe a importância dos livros, aplicando, para todos os casos, os livros como remédio, são, pelo menos na minha humilde opinião, aqueles incapazes de extrair aprendizados profundos, e relacionados a suas próprias experiências, daquilo que leem. Mesmo conhecendo agentes transformadores poderosos, esses “defensores” são incapazes de questionarem suas crenças profundas, seus preconceitos, sua estupidez, a falta de capacidade de terem opiniões próprias, de abandonarem o pedantismo insuportável, etc. Tais “defensores” mancham a literatura, afastando aqueles que realmente poderiam tirar algum proveito dos livros, e dão uma conotação, absurdamente equivocada, de egocentrismo, estupidez e covardia àqueles que dizem ser interessados em livros.

Esses “defensores” da literatura mantêm e divulgam os livros, mas a um preço muito caro, sendo ele a transformação dos mesmos em uma piada infame e totalmente desnecessária.

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O cenário acima descrito, que é facilmente encontrado, pelo menos na minha opinião, faz com que questionemos a capacidade das pessoas de aproveitarem e assimilarem as impressões que muitos autores compartilham ao longo dos tempos. Realmente, alguns livros se tornam restritos por si só, tornando-se impossibilitados de possuírem nem meia dúzia de leitores capazes de imaginarem muitos aspectos propostos pelos autores.

Algumas pessoas possuem um dom natural, até mesmo podendo ser considerada uma dependência, para a literatura. Para o ódio dos leitores estúpidos e egocêntricos, algumas pessoas compreendem ideias complexas e incomuns com uma facilidade espantosa; essa característica demonstra a presença de uma imaginação vasta e, consequentemente, de sensibilidade, atributos esses que mais complicam do que favorecem uma existência saudável. Casos como esses, que são um tanto raros, podem ser observados já nas primeiras leituras de tais indivíduos.

“Gosto de ler, gosto muito mesmo. A leitura é uma atividade realmente emocionante, que nos transporta para as localidades mais interessantes, que nos faz vivenciar as experiências mais intensas e incríveis, sendo que, para poder adentrar tais aventuras, preciso apenas pegar emprestado, de graça, um livro em uma biblioteca.”

“O autor faz uma descrição minuciosa do personagem, dando-lhe as mais variadas características, fazendo com que eu consiga me identificar com, pelo menos, algumas delas, sendo isso o suficiente para que eu consiga me enxergar como sendo tal personagem... Após essa personificação, o autor conduz o personagem através das situações mais inusitadas e intensas, fazendo com que eu sinta o peso de cada uma delas como sendo verdadeiras, reais. Esses acontecimentos, que vivencio nos livros, talvez iriam requerer, se eu tivesse sorte, uma vida inteira para que fossem realmente experimentados por mim.”

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Nesses casos, a literatura se torna indispensável. As pessoas cheias de imaginação, cheias de espírito, constantemente vão se deparar com problemas complexos, que poderão ser solucionados com o auxílio da literatura.

“Que Deus ajude a mente desse garoto, ele sabe muito mais do que você já esqueceu.”


Lucas Shiniglia

Sei lá. Sem ter muito o que fazer... eu escrevo. Uma rabiscada aqui, outra ali; às vezes me surpreendo ao ver um texto coerente na minha frente, então — ao invés de colocá-lo em uma pilha de textos anônimos — eu o publico aqui .
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