Sudoku

Como resolver um jogo de Sudoku sem nenhuma dica ou, melhor dizendo, como estruturar um modelo que possui uma relação lógica perfeita, de acordo com determinações básicas pré-estabelecidas, a partir do nada.


Um quadrado onde, em seu interior, estão demarcados 81 quadrados, sendo eles divididos, igualmente, em 9 conjuntos contendo, cada um, 9 quadrados. Esse é o ambiente onde números de 1 a 9 deverão ser inseridos, sem que se repitam em cada conjunto ou em linhas, sendo elas tanto horizontais quanto verticais. Essa definição básica é suficiente para definir um sistema, um mundo, onde componentes deverão ser inseridos, onde os conteúdos deverão respeitar imposições lógicas para que possam ser considerados corretos e verdadeiros. Qualquer tipo de definição é simplesmente hipotética e tem sua precisão restrita a um modelo em específico, a uma base conceitual específica.

Após definições prévias e relevantes, podemos relacionar tal jogo a vários outros, que possuem suas definições particulares, seus conceitos primordiais e objetivos únicos, que são completamente diferentes entre si, quando comparados, e exigem novas interpretações, expectativas e habilidades quando jogados. O jogo mais interessante é a matemática, que pode ser considerada como sendo o jogo da realidade, onde em um ambiente, sendo ele o plano cartesiano, muitas coisas podem ser mensuradas com precisão e comparadas. Devaneios e comparações a parte, voltemos a nos concentrar no Sudoku.

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Em um ambiente ainda vazio, qualquer número pode ser inserido em qualquer lugar, sem nenhum problema. Apenas com o intuito de seguir um padrão, os números serão inseridos em ordem crescente.

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Mesmo com a pequena quantidade de quadrados preenchidos, mesmo com poucas informações e conteúdo, ainda assim temos de fazer um pequeno esforço lógico, pois nos últimos preenchimentos de cada número algumas possibilidades já se tornaram restritas.

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É importante que o máximo de possibilidades, para a inserção de novos números, seja mantido; nesse caso, é preferível que, nos conjuntos, as fileiras não sejam totalmente preenchidas, permitindo, com as próximas inserções, a possibilidade de inserir números em qualquer fileira.

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A partir desse momento do jogo, muitos números irão bloquear fileiras e não permitirão a continuação do jogo, não permitirão que novos números sejam inseridos. Para que possamos evitar isso, alguns números deverão ser apagados e a tabela rearranjada, até que uma relação exata seja obtida.

Nessa fase, onde o jogo aumenta o número de informação e do conteúdo a ser arranjado, utilizar a imaginação ajuda na realização do arranjo lógico, fazendo com que números não precisem ser escritos, apagados e rearranjados, já que toda a estruturação ocorre apenas na imaginação. Isso facilita, e muito, fazendo com que não percamos tempo apagando e reescrevendo números; concomitantemente, deixamos nosso jogo mais limpo, sem marcas, sem rastros, que poderiam ser interpretados por outras pessoas, criando, a partir de um mero número apagado, uma desimportante ação primária banal, tudo aquilo que elas passarão a entender como sendo nossa personalidade, nossos objetivos e caráter.

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Por fim, alguns números deverão ser rearranjados, para isso, deve-se alterar alguns quadrados, enquanto outros são verificados. Essas mudanças devem ocorrer até que os requisitos lógicos sejam obtidos.

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Temos, ao final, um jogo perfeitamente lógico, sem nenhum defeito, sem nenhuma colocação equivocada e que atrapalha outras colocações.

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Essa atividade não foi tão complexa, as variáveis e os conteúdos eram limitados, o que facilitou, e muito, a organização lógica. Para aqueles que desejam um exercício mais difícil, pode-se arranjar todas as vivências, impressões e informações, que adquirimos ao longo de nossas vidas, e estruturá-las de um modo que todas fiquem perfeitamente relacionadas entre si, que permitam a existência de tudo aquilo que conhecemos, sem que outras impressões precisem ser alteradas. Nessa tarefa muito complexa, não basta apenas relacionarmos as coisas entre si, precisamos, além disso, definirmos os pré-requisitos lógicos de nossos jogos, o que torna a tarefa ainda mais complexa. Entretanto, esses atributos, cheios de variáveis, encontram uma facilidade na estruturação desse tipo de jogo, temos um ambiente onde podemos testar aquilo que definimos, encontrando regras e consequências, característica essa que pode ser considerada primária e nos ajuda a estabelecer nossas relações e estruturações secundárias.


Lucas Shiniglia

Sei lá. Sem ter muito o que fazer... eu escrevo. Uma rabiscada aqui, outra ali; às vezes me surpreendo ao ver um texto coerente na minha frente, então — ao invés de colocá-lo em uma pilha de textos anônimos — eu o publico aqui .
Saiba como escrever na obvious.
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