observações sobre o belo e o sublime

Sob um ponto de vista fortemente influenciado pelos olhos de quem viu...

Farah Serra

Uma jovem mulher que está deixando de ser quem era e se transformando em quem é... Se é fácil? Não. O que vem adiante? Não sei. Mas alguma coisa está acontecendo.

O submundo da blogosfera e o "não, obrigada!"

O submundo da blogosfera é tão doente como a nossa humanidade. Trata-se de uma enormidade de seres humanos, pseudo blogueiros, interagindo mecanicamente, no mode on, sem pausa para pensar muito no por que, nem na relevância dos seus próprios resultados.


O submundo da Blogosfera e o não, obrigada (1).jpg

Recentemente descobri um mundo novo: A Blogosfera.

Blogosfera, de acordo com a enciclopédia livre, Wikipédia, é o termo coletivo que compreende todos os weblogs (ou blogs) como uma comunidade ou rede social.

Trata-se de um sistema complexo, onde é preciso ter muita atenção, já que tal qual um mundo, ela tem os seus meandros, as suas castas, os seus famosos e experts, suas ralés, tribos, seitas, comunidades... E, como todo mundo, a blogosfera tem também o seu submundo. Falo daquele lado feio, depressivo, rude, viciado, doente e opressor.

O submundo da Blogosfera e o não, obrigada (2).jpg

Dentro da blogosfera os blogs se interconectam; “blogueiros leem os blogs uns dos outros, criam enlaces para os mesmos, referem-se a eles na sua própria escrita, e postam comentários nos blogs uns dos outros”. É uma relação tão densa que muitos a chamam de ‘fenômeno social’.

Até aí tudo bem. Acho legal compartilhar experiências, trocar conhecimento com outras pessoas, descobrir coisas novas, conhecer opiniões iguais, complementares ou diferentes das minhas. O grande problema é que os seres blogueiros são seres humanos que sucumbem, também dentro da blogosfera, ao movimento de manada. Como no mundo real, a sua grande maioria caminha em uma autêntica marcha de insensatez, melhor dizendo, eles seguem o caminho mais fácil, superficial, irrelevante, onde dígitos valem mais que conteúdo.

Neste submundo o que interessa são números – inconsistentes a meu ver, mas ditatoriais e taxativos. O sucesso de um blog não está no conteúdo relevante, sim no número de fãs, seguidores, curtidas, compartilhamentos, visitas, page views, etc. Claro que ninguém publica algo na internet para ficar invisível, incógnito, ignorado e obviamente eu também não quero isso.

O meu dilema é com o extravio desse sistema: “Já que é importante, vamos dar o jeito de ter esses tão respeitáveis números!”. Eis que entram no jogo as cartas sujas - o errado, a falta de valor, os favores, as trocas de links e curtidas, a banalidade, a estupidez. “Curta meu texto que eu curto o seu”; “Visitei o seu blog, agora você pode visitar o meu?”; “Atualizei os votos. Pedia-lhe, por favor, se poderia clicar nos meus três mais recentes títulos (basta só mesmo um click)!”; “Vamos trocar links?!”... E por aí vai, a manada seguindo o caminho mais fácil - até porque ele é repleto de possibilidades ‘uteis’ mesmo que inescrupulosas.

É nesse submundo dominador que eu me enrosco e por isso sou ‘penalizada’ perante a grande massa. Mas, desculpe-me blogueiros, eu me recuso a entrar no reino da mediocridade. Não quero o seu curtir se você não leu o meu texto. Não quero me contagiar com a epidemia do comportamento de massa desse submundo.

Já assumi que faz parte da minha estranha natureza escolher o caminho menos óbvio, de pensamentos não prontos, de difícil acesso. Por isso, também não sigo as recomendações dos blogueiros experts que me dão as super dicas para ter um blog de sucesso (pois, a meu ver, é claro, soam como os conselhos mais estranhos): “Escreva em tópicos, as pessoas não tem vontade e nem ‘tempo’ de ler o que você escreve.”; “Escreva títulos e use imagens apelativas – muitas vezes apenas ao lerem o título e verem a imagem legal as pessoas já dão um curtir”; “As listas são ouro: pois as pessoas só batem o olho no subtítulo dos tópicos (lembre-se de colocá-los em negrito) e já dão um curtir!”.

Em palavras simples: [email protected]#$-se o conteúdo! Publique mais lixos na rede! Um a mais, outro a menos não faz diferença. O bom é que você não precisa se esforçar e de quebra ganha algumas visitinhas no seu blog e curtidas no seu texto.

Não! Não me integrarei a este submundo de “escrever idiotices para idiotas”. Eu não quero me desenvolver na arte da pobreza de conteúdo. Não quero ser mais uma a contar tudo o que alguém já contou por aí... na blogosfera. Recuso-me a produzir qualquer texto sem conteúdo significativo, apenas com o intuito de juntar o máximo possível de seguidores deste submundo. Ou seja, não ditarei mais um milhão de regras “do que as pessoas TEM que fazer”, não vou escrever lista nenhuma do que elas devem ou não comer, ver, ouvir, experimentar, comprar, conhecer, para ser feliz, para se realizar pessoalmente, para fazer antes de morrer... Se não morri ainda, como posso eu saber o que os outros devem fazer?! E lista de coisas para fazer?! Dio mio!! Eu mal dou conta da minha própria lista diária de ‘to do’ imagina pensar em escrever uma lista pra você e os demais...

Eu não dedicarei o meu tempo, a minha atenção, em ideias fixas e clichês. Quero continuar pensando, quero produzir conteúdo relevante - já que pra mim: conteúdo, tempo e leitores importam. Não faço o que estou fazendo (estudando, aprendendo, compartilhando) para ter visitantes em meus blogs -“eu não quero ficar, quero namorar”. Penso fora da caixa e os meus desejos são grandes: busco por leitores, e de preferência pensantes! Quero atrair gente estranha como eu – gente que gosta de aprender, conhecer, explorar, falar, ler - para procurar ajudá-las, compartilhando todo o pouco que sei! Prometo me esforçar muito, então, por favor, tenha tempo e disponibilidade para ler o que eu levei tempo para saber e te contar.

Sim, me assusto um pouco e me amedronto com a minha racionalidade. Chego a me questionar se realmente valerá a pena, pois me sinto fraca perante a competitividade. “A geração de midiotas (quem lê ou escreve idiotices), só aumenta e como sempre no Brasil, idiotices vendem e por isso mesmo a situação torna-se cada vez mais crítica e incomoda a massa intelectual brasileira e com razão.” [Trecho extraído do post: “O texto no país da “midiotia”]

Contudo, tenho consciência das minhas escolhas. Mesmo soando estranho, afirmo que estou plenamente consciente de estar trilhando o caminho mais árduo. Sei que precisarei batalhar muito mais por buscar algo fora do establishment. Porém, também sei que - mesmo exigindo todos os meus esforços - a qualidade tem o seu mérito.

E se não tem dificuldades que graça tem? Se não tem valor, pra que fazer?! Para que querer ser mais um entre muitos?! Não, não estou buscando inimizades e nem estou sendo prepotente, dizendo que eu sou melhor que todos os outros, só prefiro o diferente. É por isso que permaneço no pouco - nos números pequenos para os outros, mas significantes para mim.

“Qual é a medida de se pensar bem: nem demais, a ponto do julgamento ser pesado, nem de menos, de maneira a reflexão ser muito superficial.” [Rafael Tonon]


Farah Serra

Uma jovem mulher que está deixando de ser quem era e se transformando em quem é... Se é fácil? Não. O que vem adiante? Não sei. Mas alguma coisa está acontecendo..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/recortes// @destaque, @obvious //Farah Serra