observações sobre o belo e o sublime

Sob um ponto de vista fortemente influenciado pelos olhos de quem viu...

Farah Serra

Uma jovem mulher que está deixando de ser quem era e se transformando em quem é... Se é fácil? Não. O que vem adiante? Não sei. Mas alguma coisa está acontecendo.

Juventude e maturidade por Joseph Conrad

Quando o jogo do destino nos afronta e clama pela nossa maturidade nos deparamos com a linha da sobra. Neste momento sentimos medo. Não nos percebemos a altura da tarefa que a vida nos impõe, tememos não conseguir. Entanto, é exatamente no meio desta tempestade que a nossa força se revela, conduzindo-nos ao outro lado da linha da sombra, à nova vida que nos espera.


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“Somente os jovens têm momentos do gênero. Não digo os mais jovens. Não. Quando se é muito jovem, falando a verdade, não existem momentos. É privilégio da primeira juventude viver antecipadamente o tempo que está por vir, em um fluxo ininterrupto de belas esperanças que não conhece pausas ou momentos de reflexão.

Fecha-se às costas o portão da infância, e se entra em um jardim encantado. Até mesmo a penumbra aqui brilha de promessas. Cada curva do caminho tem os seus encantos. E não porque este é um lugar inexplorado. Sabemos bem que toda a humanidade passou por aqui. É pelo encanto da experiência universal, da qual esperamos emoções não ordinárias ou pessoais, qualquer coisa que seja só nossa.

Parte-se adiante redescobrindo as marcas deixadas pelos nossos precedentes, animado, divertido, fazendo de tudo um feixe de boa e má sorte – doces progressos e retrocessos, podemos dizer - o pitoresco legado deixado a todos, que tantas coisas reservam a quem terá o mérito, ou talvez também a quem tenha a sorte. E mesmo o tempo passa, até quando ante a nós se paira uma linha de sombra, a avisar-nos que é preciso dizer adeus também ao país da juventude.”

Tradução livre do trecho da obra “La linea d’ombra”, de Joseph Conrad.

Esse trecho narra o que acontece ao jovem protagonista dessa história, que há um passo da renuncia é retornado ao jogo do destino e afronta, no extremo de suas forças, a tarefa decisiva da sua vida: tornar-se homem. “La linea d’ombra”, a linha da sobra, é o medo de não conseguir, de não sentir-se a altura da tarefa que a vida impõe quando o tempo das brincadeiras e dos conflitos da juventude chega ao fim, é o medo de errar e da desgraça que está sempre à espreita.

Mas é exatamente neste fragmento, na tempestade que se instala no profundo da alma, que se revela a força de um homem, a sua coragem, a tenacidade, única qualidade capaz de conduzi-lo ao outro lado da linha da sombra, à nova vida que o espera, aquela da maturidade finalmente conquistada.

Joseph Conrad foi um escritor britânico de origem polaca. Muitas de suas obras centram-se em marinheiros e no mar. “La linea d’ombra”, escrito em 1917, foi o seu último romance. Esta obra trata do crescimento e do desenvolvimento da personalidade e do caráter do seu jovem protagonista durante o seu percurso para tornar-se capitão do navio Orient. Neste primeiro comando ao Extremo Oriente, além do seu crescimento pessoal, o jovem também enfrenta uma difícil navegação por causas meteorológicas e por uma terrível e desconhecida doença a bordo.


Farah Serra

Uma jovem mulher que está deixando de ser quem era e se transformando em quem é... Se é fácil? Não. O que vem adiante? Não sei. Mas alguma coisa está acontecendo..
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