observações sobre o belo e o sublime

Sob um ponto de vista fortemente influenciado pelos olhos de quem viu...

Farah Serra

Uma jovem mulher que está deixando de ser quem era e se transformando em quem é... Se é fácil? Não. O que vem adiante? Não sei. Mas alguma coisa está acontecendo.

Quem se lembra de Kevin Arnold?

Quem se lembra de Kevin Arnold? Aquele garotinho, grande amigo de Paul Pfeiffer e apaixonado por Winnie Cooper, que vimos crescer na série americana Anos Incríveis, que foi exibida pela primeira vez na televisão brasileira em meados da década de 1990.


Kevin Arnold

Quem se lembra de Kevin? Aquele garotinho que vimos crescer na deliciosa série americana The Wonder Years, Anos Incríveis, em Português. Lá em casa todos nós a assistíamos. Penso que meus pais se identificavam por eles terem crescido na mesma época, final dos anos 60 e início dos anos 70. Décadas em que tantas questões sociais e eventos históricos aconteceram. Já eu e o meu irmão, nos identificávamos porque Kevin vivia os assuntos da adolescência, principalmente com seu grande amigo Paul Pfeiffer e a sua paixão Winnie Cooper.

Foram seis temporadas, totalizando 115 episódios. No Brasil, Anos Incríveis, foi exibido pela primeira vez em meados da década de 1990, na TV Cultura. E durante aqueles anos de transmissão Kevin se transformou no meu melhor amigo. Dia-a-dia ele me mostrava que também passava por diversas situações com seus familiares, amigos, professores, empregadores, etc. Foram ímpares os nossos rompantes de raiva, de incompreensão, e mesmo, os momentos em que nos sentíamos grandes idiotas por não compreendermos ou mesmo nos envergonharmos por alguns gestos e atitudes de nossos pais e amigos. Tivemos muitas brigas com os nossos irmãos – inúmeras, incontáveis… ao mesmo tempo em que, com eles, vivemos aquela cumplicidade nata nos momentos mais difíceis.

Quantas vezes senti vontade de defender Paul? De toda às vezes em que Kevin brigava com ele por ser certinho e careta demais. Afinal Paul, que era extremamente inteligente e excelente estudante, alérgico a quase tudo, também era meu melhor amigo. E quantas emoções nós compartilhamos quando ele se apaixonou por Winnie Cooper – aquela menininha doce que também vivia no seu quarteirão.

A morte do irmão mais velho de Winnie no Vietnã foi marcante para mim. Assim como o primeiro beijo de ambos (Kevin e Winnie) que coincidiu com o meu primeiro beijo – tudo na mesma época e com o mesmo gostinho bom. Mas, tenho de confessar que foram muitas as vezes que eu senti vontade de dar uma boa chacoalhada na Winnie e lhe dizer: “Deixa de ser Mané e para de judiar do Kevin!” Esses tipos de conselhos e verdades que a gente só diz para as nossas verdadeiras amigas.

Ah! Quantas foram as nossas viagens. Aquelas com os nossos pais que ficavam cada vez mais desinteressantes, mas que sem querer nos apresentaram aos nossos primeiros amores de verão. Ou aquelas com os amigos – cheias de “independência” que nos acarretaram grandes emoções e acontecimentos. E as emoções das pistas de patinação? Dos bailinhos, das brincadeiras “do armário”, do primeiro porre? Juntos nós superamos o exame para tirar a carta de motorista, o vestibular. Vivemos os primeiros dias de faculdade e experimentamos o primeiro emprego – melhor dizendo subemprego. Ainda compartilhamos os momentos embaraçantes de pedir dinheiro para os nossos pais porque tinha acabado a mesada/salário, mas não o mês.

Sem mencionar, as brigas de namoro, os fins dos namoros, as reconciliações. A descoberta de novos amores, o ciúmes, a inveja, a amizade, a perda de entes queridos…

Este seriado tinha toda a magia da inocência e das enormes dúvidas que rondavam as nossas vidas. Lembro-me de que todos esses acontecimentos eram narrados por um Kevin mais velho e experiente, que me descrevia o que tinha acontecido e me contava o que havia aprendido de suas experiências. A tudo isso se somava frases e músicas perfeitas interpretadas por Beatles, Bob Dylan, Jonu Mitchell, Van Morrison…

Nossa, foram tantos os momentos que vivi e, na minha imaginação, compartilhei com Kevin… tantos, que na verdade, eu queria mesmo é que ele continuasse me mostrando a vida. Queria continuar a poder contar com Kevin, Paul e Winnie, para que as coisas voltassem a ser mais fáceis e simples como quando eu os tinha como verdadeiros amigos.

Winnie, Kevin, Paul


Farah Serra

Uma jovem mulher que está deixando de ser quem era e se transformando em quem é... Se é fácil? Não. O que vem adiante? Não sei. Mas alguma coisa está acontecendo..
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