Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Atentados de Paris: dimensões humanas e geopolíticas

Um dos efeitos colaterais das intervenções imperialistas nos países muçulmanos é o surgimento de grupos fundamentalistas que utilizam a religião islâmica como pretexto para as suas ações doentias. Lembrando uma metáfora bastante compartilhada nas redes sociais, o fundamentalismo islâmico é somente a ponta do iceberg do terrorismo internacional.


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Para melhor compreendermos os recentes atentados terroristas ocorridos em Paris, é preciso analisar os fatos a partir de suas dimensões humanas e geopolíticas.

Preliminarmente, devemos destacar que não há justificativas plausíveis para atentados terroristas. Promover a matança indiscriminada de inocentes não é, em hipótese alguma, a melhor maneira de se atingir um objetivo político. É impossível defender, sob o ponto de vista ético, tragédias de tamanha dimensão.

Portanto, a comoção com mortes estúpidas assim (em qualquer lugar do planeta que seja) é legítima. Esta é a dimensão humana dos atentados.

Em contrapartida, ao considerarmos acontecimentos como os assassinatos na capital francesa levando-se em conta somente aspectos emocionais incorremos no grave erro de negligenciar os reais fatores que levaram os terroristas a abrirem fogo contra centenas de pessoas.

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Por trás dos atentados de Paris está o temível Estado Islâmico, organização terrorista cujo surgimento e expansão estão intimamente ligados à presença das potências ocidentais em países do Oriente Médio.

O Estado Islâmico é formado por dissidentes da Al Qaeda que iniciaram suas atividades aproveitando-se do fato de o Iraque ter se transformado em um Estado falido após a invasão estadunidense.

Já na vizinha Síria, desestabilizada por conflitos entre o governo de Bashar al-Assad e rebeldes apoiados pelas potências ocidentais, o grupo terrorista encontrou um terreno fértil para a sua atuação. Não obstante, as potências ocidentais, com o objetivo de derrubar al-Assad, fizeram vista grossa às atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico e, não raro, forneceram armamento aos militantes jihadistas para lutarem contra o governo sírio.

Em outras palavras, utilizando uma expressão corriqueira nos estudos das relações internacionais, estavam gerando o ovo da serpente. Até que um dia o feitiço vira contra o feiticeiro.

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Desse modo, é na constante presença de países como França, Inglaterra e Estados Unidos no Oriente Médio que devemos encontrar não só os motivos dos atentados em Paris, mas as raízes do moderno terrorismo islâmico de maneira geral. Temos assim, neste contexto, a dimensão geopolítica dos ataques à capital francesa.

Por outro lado, um dos efeitos colaterais das intervenções imperialistas nos países muçulmanos é o surgimento de grupos fundamentalistas que utilizam a religião islâmica como pretexto para as suas ações doentias.

Lembrando uma metáfora bastante compartilhada nas redes sociais, o fundamentalismo islâmico é somente a ponta do iceberg do terrorismo internacional.

Em suma, as conturbadas relações entre o imperialismo ocidental e o radicalismo religioso fazem milhares de vítimas civis inocentes no Oriente Médio e na Europa. Infelizmente, a indignação seletiva de muitos analistas enxerga somente os óbitos corridos no Velho Continente.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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