Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Breves considerações sobre o processo de globalização

Grosso modo, podemos entender globalização como a interligação econômica, política e cultural entre os diversos povos do planeta. Na esfera econômica, globalização representa a crescente integração das economias nacionais em um mercado global; no aspecto político, representa o estreitamento das relações diplomáticas entre os Estados Nacionais e, culturalmente, pressupõe a uniformização de hábitos e costumes, com a sobreposição de uma cultura global padronizada em detrimento das peculiaridades regionais.


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Poucas palavras são tão utilizadas atualmente como a palavra globalização. Intelectuais, das mais diversas tendências ideológicas, discutem exaustivamente sobre o tema. A emissora de televisão líder de audiência no Brasil afirma que foi “escolhida pelo povo, isso é globalização!”. Um famoso banco privado defende a globalização, desde que estejamos bem localizados.

Enfim, nos diversos setores da sociedade o termo globalização é presença constante. Podemos dizer, sem exagero, que a palavra globalização está definitivamente na moda.

Mas afinal de contas, o que é globalização? A resposta não é simples. Definir um termo empregado em diferentes contextos e para os mais variados fins, não é, evidentemente, uma das tarefas mais fáceis.

Por outro lado, podemos contextualizar o processo de globalização nos âmbitos espacial e temporal. Grosso modo, podemos entender globalização como a interligação econômica, política e cultural entre os diversos povos do planeta. Na esfera econômica, globalização representa a crescente integração das economias nacionais em um mercado global; no aspecto político, representa o estreitamento das relações diplomáticas entre os Estados Nacionais e, culturalmente, pressupõe a uniformização de hábitos e costumes, com a sobreposição de uma cultura global padronizada em detrimento das peculiaridades regionais.

Também é importante conceber a globalização não como um fenômeno que “surgiu do nada”, mas como o resultado de um processo histórico de integração (muitas vezes desigual) entre os diferentes povos. Dessa forma, as origens do que viria a ser globalização remetem às grandes navegações, iniciadas no final do século XV, quando os europeus entraram em contato com as populações da África, América, Ásia e Oceania. Pela primeira vez na História surgia a ideia de um planeta integrado. A exploração colonial europeia abriu o caminho para o surgimento de uma “economia-mundo”.

Posteriormente, as duas revoluções industriais representaram um enorme passo para o intercâmbio entre os povos, com a tecnologia industrial passando a unificar e a especializar os espaços.

Entretanto, para pensadores como o geógrafo britânico David Harvey, somente após a Segunda Guerra Mundial, com as transferências de várias filiais das empresas transnacionais para os países subdesenvolvidos, quando o processo de obtenção de capitais a partir da exploração do trabalho alheio estende-se a praticamente todo o planeta, que temos a globalização propriamente dita. Em outros termos, podemos falar em globalização de fato quando todas as etapas de produção e consumo capitalista se tornam efetivamente globais.

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O último grande acontecimento mundial que catapultou definitivamente o processo de globalização foi o colapso do socialismo no Leste Europeu no final do século passado. Dessa forma, nações que anteriormente eram fechadas para o comércio internacional, passam a ser incorporadas ao mercado global.

Para os seus defensores, a globalização representa a completa liberdade de escolha do ser humano. Os avanços tecnológicos nos setores de comunicação e transporte encurtam as distâncias, e, paulatinamente, eliminam as fronteiras culturais e econômicas entre as nações. Segundo Thomas Friedman, as crescentes relações comerciais diminuem consideravelmente as possibilidades de conflitos armados entre as nações. Entre as principais tendências do processo de globalização podemos destacar a formação de blocos econômicos, maior acesso a informação, o crescimento do sistema financeiro internacional, a adoção de práticas neoliberais e, conforme o colocado anteriormente, a vertiginosa expansão das empresas transnacionais.

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Por outro lado, a globalização, sob a ótica dos países periféricos, não apresenta os mesmos resultados positivos. O mesmo processo que, visto do lado dos países desenvolvidos aparece como sinônimo de prosperidade e acumulação de riquezas, representa para as nações periféricas o aumento da exploração e da pobreza. De maneira geral, os principais impactos negativos da globalização são o aumento dos índices de desemprego da degradação ambiental, das desigualdades sociais entre as nações e as pessoas e a substituição de culturas locais pela cultura global. Entre os movimentos antiglobalização podemos citar o fundamentalismo islâmico e os diversos tipos de nacionalismo.

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Todavia, é importante não ter uma visão maniqueísta sobre o processo de globalização, ou concebê-lo como um mal a ser completamente extirpado. Nesse sentido, torna-se imprescindível que o crescente intercâmbio entre os povos, apanágio da globalização, não seja responsável somente pela quebra de barreiras econômicas, mas que elimine os obstáculos para a solidariedade e a harmonia entre os seres humanos.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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