Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Ofensiva conservadora na América do Sul

Denunciar a atual investida direitista em voga na América do Sul não representa tomar partido de Dilma Rousseff, Nicolás Maduro, Cristina Kirchner ou qualquer outro líder político. Trata-se de um alerta para que rupturas democráticas como as ocorridas em meados do século passado não voltem a ocorrer.


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Os últimos dias não têm trazido boas notícias para a esquerda sul-americana. Na Argentina, Macri foi eleito presidente; no Brasil, Eduardo Cunha acatou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff e a oposição ao chavismo angariou a maior parte das cadeiras do parlamento venezuelano.

Para alguns analistas conservadores, essa suposta guinada à direita em nosso subcontinente está relacionada ao descontentamento das massas com o modelo “populista” de governar e à crise econômica que assola a América do Sul (sobretudo os países aqui citados).

Segundo essa linha de pensamento, a solução para o atual imbróglio está em mandatários que possam trazer ares de mudança, através da aplicação de políticas neoliberais. Nada mais falacioso.

Como bem salientou o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, em uma análise sobre a atual conjuntura política, explicações que associam o “sucesso” da direita à crise econômica são meras cortinas de fumaça utilizada para encobrir a verdadeira causa da nova ascensão conservadora na América do Sul: a ofensiva que associa imperialismo estadunidense e burguesias nacionais contra governos com posturas consideradas mais à esquerda.

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Nesse contexto estão a intensa campanha da imprensa argentina (notadamente o grupo Clarín) contra o kirchnerismo, o boicote de empresários venezuelanos contra o governo Maduro (que gerou a crise de abastecimentos de produtos de primeira necessidade pela qual passa o país) e as investidas do judiciário e da mídia hegemônica sobre políticos petistas no Brasil.

Sendo assim, denunciar a atual investida direitista em voga na América do Sul não representa tomar partido de Dilma Rousseff, Nicolás Maduro, Cristina Kirchner ou qualquer outro líder político. Trata-se de um alerta para que rupturas democráticas como as ocorridas em meados do século passado não voltem a ocorrer.

Em outros termos, não podemos admitir que, em pleno século 21, ocorram golpes de Estado em massa (agora camuflados com vernizes pseudo-democráticos, como demonstra o exemplo paraguaio de 2012).

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O relativo fracasso das manifestações pró-impeachment (também chamadas de “coxinhaços”), realizadas no dia 13 de dezembro, demonstra que a direita brasileira não tem respaldo popular. Sua força está ancorada em frações da elite, que funcionam como marchas de manobra para os interesses do imperialismo estadunidense.

O velho Marx, ao dissertar sobre o conceito de ideologia, já dizia que uma das mais poderosas estratégias da classe dominante para legitimar e manter a sua hegemonia é criar a ilusão de que suas ideias correspondem aos anseios de todo o conjunto social.

Diante desse cenário conturbado, é preciso criar uma resistência não só no Brasil, mas em âmbito continental, por meio de mobilizações populares, para que os golpistas não atinjam seus objetivos que visam somente o benefício de uma minoria privilegiada em detrimento das aspirações da maioria da população, a qual tentam, por todos os meios, manipular em favor de seus interesses.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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