Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Os atentados em Paris e as operações de "bandeira falsa"

De maneira geral, operações ou ataques de “bandeira falsa” são ações clandestinas em que um determinado país comete atos de terrorismo contra seu próprio território e, em seguida, coloca a culpa em outro país ou organização, a fim de justificar uma agenda política, como invasões a outros países ou a imposição de leis que aumentam o poder estatal ou diminuem as liberdades individuais.


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Na sexta-feira, 13 de novembro, data considerada de mau agouro por muitos, o planeta ficou atônito ao tomar conhecimento de uma série de atentados terroristas que levaram a óbito mais de uma centena de pessoas em Paris, capital da França.

Enquanto as imagens dos fatídicos acontecimentos rodavam pelo mundo, algumas hipóteses sobre as suas possíveis causas foram levantadas. No final das contas, os ataques foram atribuídos ao temível Estado Islâmico, como uma retaliação à presença imperialista do exército francês na Síria.

Entretanto, muitos analistas não confiaram na “versão oficial” dos fatos e creditaram os terríveis assassinatos ocorridos em Paris ao próprio governo francês. Por mais inacreditável e descabida que possa parecer esta versão, ao longo da história vários Estados realmente recorreram a este tipo de ação, conhecida como operação ou ataque de “bandeira falsa” (false flag, em inglês).

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De maneira geral, operações ou ataques de “bandeira falsa” são ações clandestinas em que um determinado país comete atos de terrorismo contra seu próprio território e, em seguida, coloca a culpa em outro país ou organização, a fim de justificar uma agenda política, como invasões a outros países ou a imposição de leis que aumentam o poder estatal ou diminuem as liberdades individuais.

Entre os exemplos historicamente comprovados de “bandeiras falsas” podemos citar o “Incêndio do Reichstag” (forjado pelos nazistas para implantar um regime autoritário na Alemanha), “a Operação Ajax” (quando os governos de Londres e Washington se uniram para orquestrar um Golpe de Estado no Irã) e a “Operação Northwoods” (atos terroristas em cidades estadunidenses falsamente atribuídos a cubanos, com o objetivo de ludibriar a opinião pública estadunidense e levá-la a apoiar uma guerra contra Cuba).

No Brasil, o exemplo recente mais emblemático é o “Atentado do Riocentro” durante a Ditadura Militar.

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Não obstante, muitos analistas acreditam que o famoso atentado de 11 de setembro, considerado até agora o principal acontecimento geopolítico do presente século, também é um exemplo de “bandeira falsa”.

A partir de uma série de argumentos que incluem a suposta presença de explosivos entre os escombros das torres gêmeas e as ligações entre as famílias Bush e Bin Laden, para essa linha de argumentação, os ataques ao World Trade Center foram planejados para que o governo de George W. Bush, financiado pela indústria petrolífera, tivesse assim um forte pretexto para intervir em países do Oriente Médio em busca de suas riquezas minerais.

Nesse sentido, os recentes ataques terroristas à capital francesa, que comoveram a chamada opinião pública global, seriam o motivo perfeito para facilitar a implantação de políticas que pretendam barrar a entrada de imigrantes (principalmente sírios) não só na França, mas em todas as nações da União Europeia.

Teorias da conspiração à parte, a noção de “bandeira falsa” (com alguns exemplos comprovados e outros não) nos trás como principal lição a ideia de que os acontecimentos geopolíticos vão muito além do que é mostrado pelos meios de comunicação.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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