Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Transtornos Globais do Desenvolvimento

É preciso encarar as dificuldades do aluno com algum tipo TGD como uma auspiciosa oportunidade de aperfeiçoamento das práticas pedagógicas. Sendo assim, é importante acreditar no potencial dessa criança, não subestimar sua inteligência, deixar que ela faça ou tente realizar sozinha as atividades escolares.


transtorno.jpg

Os Transtornos Globais do Desenvolvimento, também conhecidos pelo acrônimo TGD, são distúrbios caracterizados por comprometimentos graves em funções básicas relacionadas à sociabilidade, à linguagem, ao comportamento e ao desenvolvimento mental. Na grande maioria dos casos, costumam manifestar-se nos cinco primeiros anos de vida. De acordo com um estudo elaborado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEESP), os indivíduos com TGD “apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo”. Os TGD englobam o autismo, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Heller, a Síndrome de Rett e o Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação, também designado como autismo atípico.

Geralmente as crianças com TGD apresentam tendência ao isolamento, ações repetitivas, baixa capacidade de concentração, dificuldade em iniciar e manter um diálogo, falhas no uso e compreensão da linguagem, mudanças repentinas de humor, problemas com alterações de rotina ou ambiente familiar, ecolalia e, em alguns casos, coordenação motora comprometida.

De acordo com especialistas em educação de crianças com necessidades especiais, entre as atitudes metodológicas que são importantes para garantir o desenvolvimento dos alunos com TGD estão estimular a autonomia do discente, apresentar visualmente as atividades curriculares, criar projetos temáticos e flexibilizar as estratégias didáticas. Já em matéria de sociabilidade, é importante que o professor promova a afetividade no ambiente escolar, ajude o aluno a incorporar regras de convívio social, estabeleça trabalhos em grupo e estimule a interação plena entre crianças com TGD e seus colegas sem deficiência.

autismo2.jpg

É preciso encarar as dificuldades do aluno com algum tipo de transtorno mental como uma auspiciosa oportunidade de aperfeiçoamento das práticas pedagógicas. Sendo assim, é importante acreditar no potencial deste estudante, não subestimar sua inteligência, deixar que ele faça ou então tente realizar sozinho as atividades escolares. Em outros termos, conceder a oportunidade para que o aluno com dificuldades intelectuais se torne verdadeiramente protagonista no processo de ensino-aprendizagem.

A criança com TGD, ao ingressar nas chamadas escolas especiais, onde se depara com um ambiente totalmente voltado para as suas peculiaridades, tem apresentado melhorias significativas em questões relacionadas à sociabilidade e à aprendizagem.

Por outro lado, o portador de TGD não deve ser visto pela sociedade como cidadão de segunda categoria, que deve ser tratado com comiseração ou assistencialismo, mas como cidadão de fato.

Sem mudar nossa concepção estereotipada sobre a pessoa com TGD, pouco poderá ser feito para acabar com a discriminação. Portanto, quando pensamos em indivíduos com algum tipo de deficiência, não queremos simplesmente falar em igualdade de direitos, mas, sobretudo, em respeito às diferenças.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
Saiba como escrever na obvious.
version 3/s/sociedade// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Francisco Ladeira