Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

A proletarização da profissão docente

Se em outras épocas, o professor tinha grande autonomia na construção de seu planejamento didático, podendo inovar constantemente sua prática diária, hoje ele é um mero reprodutor de currículos pedagógicos anacrônicos, totalmente desconectados da realidade e que, não obstante, são elaborados por burocratas que desconhecem completamente o cotidiano em sala de aula.


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Historicamente, o mês de fevereiro é marcado pelo início do ano letivo escolar. Nesta época do ano, pais sentem-se aliviados em saber que seus filhos voltarão à rotina de estudos, alunos ficam na expectativa de rever colegas ou de fazer novas amizades e donos de papelarias comemoram a possibilidade de aumentarem seus lucros mediante a demanda por material escolar.

Entretanto, o professor, um dos principais protagonistas do processo educacional, parece não compartilhar do mesmo entusiasmo de outros atores sociais diante da volta às aulas.

Nos últimos anos, a profissão docente tem passado por um vertiginoso processo de proletarização.

Ser membro do proletariado significa não possuir o comando do seu próprio trabalho, realizar tarefas repetitivas, desenvolver uma labuta extremamente desestimulante e receber um salário irrisório, suficiente apenas para manter a mera existência fisiológica.

Em outros termos, o magistério corre o sério risco de se tornar uma profissão para indivíduos que praticamente “compram” um diploma de curso superior em faculdades caça-níquéis ou então uma ocupação para quem, simplesmente, “não consegue um emprego melhor”.

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Se em outras épocas, o professor tinha grande autonomia na construção de seu planejamento didático, podendo inovar constantemente sua prática diária, hoje ele é um mero reprodutor de currículos pedagógicos anacrônicos, totalmente desconectados da realidade e que, não obstante, são elaborados por burocratas que desconhecem completamente o cotidiano em sala de aula.

Por causa dos baixos salários pagos pela rede pública de ensino, para ter um rendimento minimamente acima do limite de subsistência, o profissional do magistério deve se desdobrar em jornadas de trabalho demasiadamente exaustivas, o que vem a comprometer peremptoriamente a qualidade de suas aulas.

Outros fatores que desestimulam a prática docente são a superlotação das salas de aula, o grande número de reuniões pedagógicas improdutivas, as cobranças descabidas de superintendências de ensino e a própria instabilidade no emprego vivida pela maioria dos profissionais.

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Já nas instituições privadas a situação docente não se mostra tão diferente assim. Devido ao crescente processo de mercantilização da educação, cada vez mais escolas particulares têm se transformado em verdadeiras fábricas de produzir indivíduos prontos para serem aprovados em vestibulares e em exames afins.

O essencial não é a construção do conhecimento como fonte de emancipação do ser, mas conseguir resultados chamativos para atrair os “alunos clientes” e “vencer a concorrência”.

Cabe ao professor ser somente uma peça dessa grande engrenagem capitalista.

Conforme a história nos tem mostrado exaustivamente, para que uma nação possa ser considerada realmente desenvolvida é necessário possuir um sistema educacional de qualidade.

Sendo assim, levando-se em consideração o descaso com que o professor é tratado em nosso país, parece que, infelizmente, a verdadeira revolução social brasileira ainda está distante de ser concretizada.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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