Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Atestado de óbito do jornalismo brasileiro

Infelizmente, em nome do antipetismo histérico e militante, legítimos jornalistas estão cada vez mais ausentes das principais publicações midiáticas para cederem lugar a figuras anódinas e sem o mínimo preparo intelectual.


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Nos últimos anos, para se tornar articulista das principais publicações da imprensa brasileira não é preciso escrever bem, ser um exímio observador da realidade ou possuir quaisquer outros atributos intelectuais. Basta ter apenas uma característica: odiar incondicionalmente o atual governo federal.

Desse modo, o cantor e compositor Lobão, outrora conhecido por suas ideias progressistas, ganhou uma coluna na revista Veja; professores como Demétrio Magnoli, Marco Antonio Villa e Pondé passaram a ter espaços midiáticos nunca antes alcançados por acadêmicos e meros repetidores de clichês reacionários como Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo e Ronaldo Caiado tornaram-se “grandes formadores de opinião”.

Como na Lei de Murphy da mídia tupiniquim nada é tão ruim que não possa piorar, eis que a Folha de S. Paulo anunciou a contratação de Kim Kataguiri como novo colunista semanal de sua edição online.

Líder do Movimento Brasil Livre (MBL), Kataguiri tornou-se conhecido nacionalmente depois de inflamadas provocações públicas ao deputado federal Jean Wyllys.

Atualmente, ele tem se dedicado a divulgar as manifestações golpistas que pedem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e é considerado, ao lado de nomes como Danilo Gentili e Rodrigo Constantino, um dos principais expoentes da nova geração de conservadores brasileiros.

Em entrevista, Kim Kataguiri asseverou que, ao convidá-lo para ser colunista, a Folha fez uma "excelente tentativa de parecer mais idôneo”, pois “sabe que terá como colunista alguém que vai criticar o jornal constantemente".

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Segundo o jornalista Paulo Nogueira, o anúncio da contratação do líder do MBL pela Folha de S. Paulo traz a oportunidade para refletirmos sobre o nível da direita no Brasil.

“A imprensa brasileira vem abrigando direitistas desse quilate em seus quadros. Não surpreende que a mídia venha perdendo eleições há tanto tempo. Como influenciar as pessoas com um nível tão baixo de propagandistas?”, questionou Nogueira.

No Twitter, André Anlub escreveu que a presença de Kim Kataguiri em um dos principais jornais do país demonstra como o ódio tem ganhado bastante evidência na mídia. “Resta saber se o jornal será responsabilizado pelo que for escrito no espaço, uma vez que Kim é conhecido pelo discurso inflamado contra seus desafetos”, alertou uma matéria do Portal Fórum.

Já em tom irônico, o site "Sensacionalista" noticiou: “estudantes que passaram em jornalismo no SISU desistem após Kim Kataguiri estrear na Folha”. Realmente: seria cômico, se não fosse trágico.

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Infelizmente, em nome do antipetismo histérico e militante, legítimos jornalistas estão cada vez mais ausentes das principais publicações midiáticas para cederem lugar a figuras anódinas e sem o mínimo preparo intelectual.

O pensamento conversador brasileiro já foi melhor representado por nomes como Nelson Rodrigues, Paulo Francis, ou até mesmo Carlos Lacerda.

Em suma, a contratação de Kim Kataguiri significa que a Folha de S. Paulo prossegue em sua empreitada golpista e não demonstra a mínima preocupação com a qualidade do que publica. Representa o atestado de óbito do jornalismo brasileiro.

Diante dessa realidade, não é por acaso que o acrônimo PIG – Partido da Imprensa Golpista tem sido utilizado com bastante frequência.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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