Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Mundo virtual: possibilidades e riscos

Pela primeira vez na história, moradores de qualquer região do planeta, desde que conectados à rede mundial de computadores, podem divulgar suas ideias em escala global, sem a necessidade de recorrer aos tradicionais veículos de comunicação de massa.


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O advento da Internet proliferou e democratizou o acesso a informação, fazendo com que as seculares instituições educacionais perdessem o monopólio de centros privilegiados de irradiação do saber.

Pela primeira vez na história, moradores de qualquer região do planeta, desde que conectados à rede mundial de computadores, podem divulgar suas ideias em escala global, sem a necessidade de recorrer aos tradicionais veículos de comunicação de massa.

A Internet concedeu um espaço nunca antes imaginado para que setores historicamente excluídos pudessem fomentar laços de solidariedade, independentemente de entraves geográficos.

Transferir uma determinada questão política também para o âmbito virtual é um fator importante para a sua popularização, pois, a partir do momento em que pertencer a uma militância não requer necessariamente frequentar seus debates físicos, mais pessoas se sentem motivadas para aderir a uma causa.

Desse modo, ativistas negros, ateus, feministas e membros de comunidades LGBT cada vez mais têm se apropriado do meio virtual para criarem espaços de discussões, trocarem experiências e propagarem suas demandas.

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Por outro lado, a Internet também é refúgio de discursos intolerantes e preconceituosos. Isoladamente, seja por receio de repúdio social ou autocensura, um indivíduo não expõe determinadas ideias preconceituosas, guardando-as para si mesmo.

Todavia, a partir do momento em que acessa a Internet e entra em contato com outras pessoas que assumem posições tão equivocadas quanto as suas, ele se fortalece e passa a não mais temer a hipótese de revelar aspectos obscuros de sua personalidade.

Consequentemente, as redes sociais estão infestadas de manifestações racistas, xenófobas, homofóbicas, sexistas e classicistas.

Uma dessas postagens exaustivamente compartilhadas no Facebook que buscam sutilmente desmerecer uma causa social dizia “nem feminista, nem machista, sou humanista”.

Embora os três termos possuam o mesmo sufixo, suas cargas semânticas são totalmente diferentes.

O filósofo francês Michel Pêcheux já afirmava que as palavras não possuem um sentindo imanente. Suas verdadeiras “significações” são encontradas no contexto histórico, em condicionamentos sócio-econômicos e nas posições ocupadas por emissor e receptor em uma determinada hierarquia social.

Portanto, não há como comparar a violência física e simbólica do opressor (machismo) com a resistência legítima do oprimido (feminismo).

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Conforme sabiamente apontou Umberto Eco, as redes sociais deram voz a imbecis que antes restringiam seus discursos incoerentes à comunidade onde vivem.

Em um momento de radicalização ideológica como o atual, proliferam no Facebook inúmeros vídeos de analfabetos políticos que, graças às suas retóricas inflamadas, tornam-se celebridades virtuais do dia para a noite, angariando uma legião de seguidores.

Infelizmente, a livre circulação de ideias também traz seus efeitos colaterais.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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