Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

O falacioso argumento "quem votou em Dilma também votou em Temer"

Se quem votou no Partido dos Trabalhadores realmente pretendesse um governo que cortasse políticas sociais, sucateasse a educação, vendesse as riquezas nacionais e se submetesse incondicionalmente aos ditames do Imperialismo, entre outras medidas adotadas pelo governo usurpador, não perderia seu tempo digitando o número 13 na urna eletrônica.


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O Brasil atravessa um período de intenso radicalismo ideológico, só comparado, em nossa história republicana, ao turbulento contexto da primeira metade da década de 1960, que culminou no golpe civil-militar que depôs o então presidente João Goulart.

A grande diferença daquela época em relação à atual conjuntura é que, antes o "idiota da aldeia" (termo cunhado por Umberto Eco) restringia suas ideias equivocadas ao seu espaço de convívio cotiano, ou, no máximo, participava de passeatas ultraconservadoras como a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade".

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Atualmente, com o amplos acesso às redes sociais, o "idiota da aldeia" pode divulgar seus delírios em âmbito global. Trata-se de um dos efeitos colaterais das novas tecnologias de comunicação.

Passados alguns meses, o evasivo combate à corrupção, principal "objetivo" do Golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff, parece muito distante de ser colocado em prática.

Muito pelo contrário. Com o altamente fisiológico PMDB no poder máximo da nação, a corrupção aumentou substancialmente.

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Diante dessa realidade, muitos "idiotas da aldeia" (que em nosso cenário político atual podem ser designados como "coxinhas"), utilizados como massa de manobra pelos golpistas, começaram a creditar a culpa do fracasso do governo Temer aos eleitores de Dilma.

Inacreditavelmente, querem acusar aqueles que foram "contra o golpe" pelo "golpe". É isso mesmo? Para os coxinhas, quem votou em Dilma também votou em Temer. Procede?

Pelo que a história nos mostra, a última oportunidade em que os brasileiros votaram diretamente para vice-presidente foi no longínquo ano de 1960, sendo eleito o anteriormente citado João Goulart.

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Como os coxinhas não desistem facilmente, passaram a argumentar que, quem votou em Dilma, votou na chapa que tinha como candidato a vice-presidência da República Michel Temer.

Ora, esta preposição é ainda mais tranquila para se refutar. Quando se vota em uma chapa, o eleitor geralmente escolhe um projeto de país. Personalizar a política é puro diletantismo analítico.

A realidade é muito mais complexa do que ficar repetindo ou postando nas redes sociais frases de "pensadores" como Kim Kataguiri, Olavo de Carvalho ou Alexandre Frota.

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Se quem votou no Partido dos Trabalhadores realmente pretendesse um governo que cortasse políticas sociais, sucateasse a educação, vendesse as riquezas nacionais e se submetesse incondicionalmente aos ditames do Imperialismo, entre outras medidas adotadas pelo governo usurpador, não perderia seu tempo digitando o número 13 na urna eletrônica.

Para que estas políticas fossem colocadas em prática, sem todo o imbróglio e desgaste que envolveu o processo de impeachment, bastaria ser mais pragmático e digitar o número 45 e confirmar, para que, assim, a ave preferida pelo capital internacional voltasse a comandar a fauna política tupiniquim.

O modelo entreguista proposto por Temer dificilmente sairia vitorioso nas urnas. Em última instância, ninguém votou em uma chapa esperando por um Golpe de Estado em pleno século XXI. Questão de princípios e respeito pela vontade popular.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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