Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

A crise da globalização

Os mesmos analistas que afirmavam ser o fim da União Soviética a comprovação de que os ideais de uma sociedade igualitária não são viáveis na prática agora têm que admitir que a globalização econômica pautada na livre concorrência, além de gerar milhões de excluídos em todo o planeta (fator que por si só já é controverso), também não traz benefícios concretos para boa parte dos habitantes dos países desenvolvidos.


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Nas últimas décadas do século passado, a palavra globalização ultrapassou os muros da universidade para invadir os mais diversos âmbitos da sociedade.

A partir dos avanços dos meios de comunicação e transporte, parecia que finalmente o “mundo era um só”. O filósofo Marshall McLuhan falava em “Aldeia Global”.

Não havia mais obstáculos para a livre circulação de serviços e mercadorias. Com o colapso do socialismo no Leste Europeu, o capitalismo despontaria como sistema econômico hegemônico.

As utopias estavam mortas. Era o “Fim da História” preconizado pelo cientista político Francis Fukuyama. Enfim, a economia de mercado era confirmada como a derradeira etapa da história da humanidade.

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Tudo ia bem para os ideólogos da globalização até que surgiu a crise econômica de 2008, iniciada no setor financeiro dos Estados Unidos e posteriormente espalhada para praticamente todo o planeta.

Quebra de bancos, queda da produtividade industrial, falência de empresas e desemprego em massa foram algumas das consequências mais visíveis da crise econômica. Não demorou muito para esses efeitos refletirem na esfera política.

O resultado da derrocada financeira foi a ascensão de políticos e medidas estatais nitidamente antiglobalização.

É fato que na periferia capitalista, sobretudo na América Latina, a chegada ao poder de governos de esquerda, antes de 2008, já representava o repúdio das populações desses países ao neoliberalismo, um dos principais pilares da globalização.

Todavia, essa questão se tornou ainda mais complexa quando as populações das nações desenvolvidas também começaram a rejeitar os preceitos da globalização, como são os casos da eleição do protecionista Donald Trump nos Estados Unidos e do processo de saída do Reino Unido da União Europeia após consulta popular.

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Desse modo, os mesmos analistas que afirmavam ser o fim da União Soviética a comprovação de que os ideais de uma sociedade igualitária não são viáveis na prática agora têm que admitir que a globalização econômica pautada na livre concorrência, além de gerar milhões de excluídos em todo o planeta (fator que por si só já é controverso), também não traz benefícios concretos para boa parte dos habitantes dos países desenvolvidos.

Exceção feita, é claro, para aquele 1% da população que ganha astronômicas somas monetárias explorando o trabalho alheio ou especulando em bolsas de valores mundo afora.

Em uma época de crise como a atual, em que a esquerda está perdida, levantando bandeiras secundárias aos interesses do proletariado, ironicamente a extrema-direita é quem tem seduzido as massas trabalhadoras, a partir de seus discursos com soluções simplistas para questões complexas.

Não obstante, as preposições xenófobas dos políticos conservadoras, que culpam imigrantes pelo crescimento dos índices de desemprego, são extremamente perigosas.

A última grande combinação entre crise econômica e ascensão de ideias extremistas não traz boas lembranças para a humanidade. Infelizmente, o fascismo é um fantasma que insiste em não nos deixar.


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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