Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Novas e velhas formas de manipulação

Parafraseando uma clássica frase de autoria controversa, na "guerra ideológica" propiciada pelo advento das novas tecnologias da comunicação a verdade é a primeira vítima. Se em outras épocas, não tão remotas assim, distorcer informações era exclusividade de grandes grupos midiáticos; atualmente, qualquer indivíduo – independentemente de sua postura política, crença religiosa e filosofia de vida – desde que tenha acesso à rede mundial de computadores, pode editar imagens, fazer montagens, produzir vídeos tendenciosos ou reverberar falsas notícias nas redes sociais.


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Parafraseando uma clássica frase de autoria controversa, na "guerra ideológica" propiciada pelo advento das novas tecnologias da comunicação a verdade é a primeira vítima. Se em outras épocas, não tão remotas assim, distorcer informações era exclusividade de grandes grupos midiáticos; atualmente, qualquer indivíduo – independentemente de sua postura política, crença religiosa e filosofia de vida – desde que tenha acesso à rede mundial de computadores, pode editar imagens, fazer montagens, produzir vídeos tendenciosos ou reverberar falsas notícias nas redes sociais.

Enfim, a manipulação atingiu níveis jamais imaginados pelo cineasta e roteirista estadunidense Orson Welles.

A partir de dados coletados do Facebook entre agosto e novembro ao ano passado, um estudo publicado no site "Buzzfeed" apontou que as notícias falsas (fake news) sobre as últimas eleições presidenciais estadunidenses tiveram 8,7 milhões de compartilhamentos na rede social, reações e comentários, enquanto as notícias convencionais obtiveram 7,3 milhões.

Uma análise feita pelo mesmo portal em sua versão tupiniquim, com base em dados de interação informados também pelo Facebook, concluiu que as dez notícias falsas sobre a Lava-Jato mais compartilhadas nesta rede social, entre janeiro e novembro de 2016, superaram em quantidade de interações as dez notícias verdadeiras. De acordo com a pesquisa, as dez principais notícias falsas tiveram 3,9 milhões de compartilhamentos, reações e comentários, enquanto as dez reportagens verídicas mais populares sobre o mesmo tema somaram 2,7 milhões de interações.

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Por outro lado, não há como escrever um texto sobre manipulação sem mencionar a velha mídia. Uma análise sobre as manchetes de três dos quatro maiores jornais brasileiros de circulação paga sobre a Greve Geral ocorrida no final do mês de abril revela uma cobertura altamente tendenciosa contra as mobilizações de trabalhadores em todo o país: “Greve atinge transportes e escolas em dias de confrontos” (Folha de S. Paulo), “Protestos de centrais afetam transportes e tem violência” (O Globo) e “Greve afeta transporte e comércio e termina com atos de vandalismo” (O Estado de S. Paulo).

Ironicamente, quem quisesse se informar de maneira satisfatória sobre a Greve Geral deveria recorrer a veículos estrangeiros. Vejamos alguns títulos de matérias: “Uma greve geral ameaça as reformas do governo Temer” (El País), “Greve geral contra reforma trabalhista, a primeira em 20 anos” (La Repubblica), “Brasil: uma greve geral histórica, mas de menor magnitude do que o esperado” (Le Monde) e “Cidades brasileiras paralisadas por greve nacional contra a austeridade” (Reuters).

Conforme o apontado, atualmente a manipulação não é exclusividade apenas da imprensa hegemônica. No dia 8 de maio, a Folha de S. Paulo publicou uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso na qual o ex-presidente da República afirmava que o “novo” no cenário político brasileiro seria representado por figuras como o prefeito paulistano, João Doria, e o apresentador da Rede Globo de Televisão, Luciano Huck. Fernando Henrique evitou mencionar possíveis nomes para as eleições presidenciais do próximo ano, pois, segundo ele, é muito “cedo” para falar em candidaturas ao Planalto em 2018.

Todavia, distorcendo a fala do ex-presidente, a revista Fórum e o site “O Cafezinho” noticiaram em suas respectivas páginas no Facebook que FHC estaria lançando Huck para presidente. Já o jornal digital Brasil 247, ideologicamente à esquerda assim como os dois veículos citados anteriormente, ao trazer como título de uma matéria a colocação “FHC elogia Temer, abandona Aécio e Alckmin e elogia Huck”, expôs sua posição sobre a fala de Fernando Henrique, sem, entretanto, recorrer à prática de desvirtuar suas palavras. Desse modo, os exemplos da revista Fórum e do site “O Cafezinho” demonstram como manipulações podem estar presentes tanto na grande mídia quanto na chamada imprensa alternativa.

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Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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