Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

O fascismo também está entre nós

Se não temos uma instituição como a Ku Klux Klan, em contrapartida, temos parlamentares que elogiam torturados do Regime Militar em pleno Congresso Nacional, humoristas especializados em contar piadas que ridicularizam minorias, justiceiros que amarram jovens negros em postes e pessoas que vibram a cada notícia sobre mortes ocorridas em presídios ou nas periferias das grandes cidades.Infelizmente, as ideias fascistas estão mais próximas de nós do que pensávamos. E não é bom “jair se acostumando” com isso!


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Nos últimos dias, audiências de praticamente todo o planeta assistiram atônitas às imagens de uma manifestação neonazista em que ideias homofóbicas, racistas e xenófobas eram abertamente defendidas.

Parecia a Alemanha das décadas de 1930 e 1940, mas são os Estados Unidos do século XXI.

Este tipo de realidade mórbida aparentemente mostra-se bastante distante de nosso cotidiano, pois, desde a mais tenra idade, aprendemos que nós, brasileiros, somos um povo pacífico, miscigenado e tolerante.

Porém, basta um olhar mais acurado para percebemos que as coisas não são bem assim. Homofobia, racismo e xenofobia também estão presentes em grande escola na sociedade brasileira.

Paradoxalmente, o mesmo país que abriga a maior parada de orgulho LGBT do planeta, também é campeão mundial em assassinato de homossexuais. Estima-se que a cada 28 horas, um homossexual morre de forma violenta no Brasil.

Para os setores conservadores de nossa sociedade, abordar nas escolas questões como respeito à diversidade sexual, identidade de gênero ou o combate a transfobia não são valores que auxiliam na formação de pessoas tolerantes, mas imposição de uma “ideologia de gênero”.

Em um debate de presidenciáveis, ao ser questionado sobre a união civil homoafetiva, um candidato ao Palácio do Planalto afirmou ser contrário, pois “órgão excretor não reproduz”.

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Já o racismo é uma das questões mais controversas em nosso país.

Durante anos, nos estudos sobre as relações inter-raciais, prevaleceu o paradigma da “democracia racial”, que partia do pressuposto de que, ao contrário de nações como os Estados Unidos e África do Sul, no Brasil havia uma convivência harmônica entre brancos e negros.

No entanto, dados estatísticos e constatações empíricas confirmam que ataques racistas à população negra são frequentes em nosso cotidiano. Manifestações culturais com matrizes africanas, como o candomblé e a umbanda, são depreciadas por boa parte da população.

Segundo o IBGE, os negros são maioria entre a população mais pobre. Não obstante, os negros também são as principais vítimas da violência policial.

Por outro lado, com o aumento dos fluxos migratórios para o Brasil e com o acirramento dos radicalismos ideológicos ocorrido nos últimos anos, cada vez mais nos chegam notícias sobre haitianos, bolivianos e sírios que são hostilizados em vários municípios do país.

O Brasil não é tão acolhedor ao estrangeiro quanto parecia ser.

Conforme a história nos tem exaustivamente mostrado, momentos de crise econômica, como o que atualmente atravessamos, são mais propensos ao florescimento de diversos tipos de ódio.

Se não temos uma instituição como a Ku Klux Klan, em contrapartida, temos parlamentares que elogiam torturados do Regime Militar em pleno Congresso Nacional, humoristas especializados em contar piadas que ridicularizam minorias, justiceiros que amarram jovens negros em postes e pessoas que vibram a cada notícia sobre mortes ocorridas em presídios ou nas periferias das grandes cidades.

Infelizmente, as ideias fascistas estão mais próximas de nós do que pensávamos. E não é bom “jair se acostumando” com isso!


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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