Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Retrocessos na educação brasileira

Infelizmente, a educação brasileira está sendo decidida por pessoas que, em sua maioria, nunca pisaram numa sala de aula enquanto docentes ou então não possuem a mínima formação adequada para opinar sobre políticas educacionais


Texto escrito em parceria com a especialista em "Fundamentos Sociais e Políticos da Educação", Uriana Fernandes Curcino Ribeiro

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Nos últimos anos, a educação brasileira tem sofrido constantes ataques de setores conservadores de nossa sociedade através da proibição e recolhimento de livros didáticos, da limitação à liberdade de expressão docente e de manchetes negativas em alguns jornais.

Medidas como o projeto denominado “Escola Sem Partido”, de autoria do senador Magno Malta, não pretendem evitar que educadores “doutrinem” seus alunos ou os incentivem a se filiar a um partido político qualquer.

Pelo contrário, atendem objetivos bem claros: contribuir para que os estudantes desconheçam as desigualdades entre classes, gêneros e raças que nos assolam há séculos e também não compreendam os preceitos antidemocráticos colocados em prática atualmente no Brasil.

Em outros termos, querem minar o papel social do professor como agente transformador da realidade.

Não por acaso, todas as políticas educacionais que objetivam dar maior visibilidade às minorias, como o projeto “Escola sem homofobia” ou a instituição do ensino de cultura africana, são rejeitadas, ridicularizadas e deturpadas pelos setores conservadores de nossa sociedade.

É nítida a falta de formação, conhecimento e despreparo de quem idealizou e redigiu o projeto “Escola Sem Partido”, pois o mesmo fere a Constituição Federal e a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

Instituições influentes como a ONU já se mostraram preocupadas com as tramitações e possíveis aprovações de políticas educacionais que restringem o direito à liberdade de expressão no ambiente escolar.

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Outros exemplos demonstram o estado lamentável pelo qual atravessa a educação brasileira, em todos os níveis de ensino.

No último dia 8 de junho, o Ministro da Educação, Mendonça Filho, ordenou que o livro de contos infantis “Enquanto o Sono Não Vem”, do escritor José Mauro Brant, fosse retirado de todas as escolas brasileiras, sob a alegação de que ele seria impróprio para as crianças do primário, pois elas “não teriam maturidade para temas de alta densidade”.

Já um colégio no Rio de Janeiro iniciou neste ano o método chamado “single sex”, em que meninos e meninas estudam em salas separadas, com professores correspondentes ao mesmo sexo. Embora seja o mesmo material didático para alunos e alunas, a metodologia pedagógica também é distinta de acordo com o gênero.

Desse modo, em pleno século XXI, ainda percebemos a perpetuação de uma educação que pretende reproduzir papeis socialmente determinados para homens e mulheres.

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Infelizmente, a educação brasileira está sendo decidida por pessoas que, em sua maioria, nunca pisaram numa sala de aula enquanto docentes ou então não possuem a mínima formação adequada para opinar sobre políticas educacionais.

Não obstante, uma escola que não contempla temáticas políticas em sua grade curricular contribui decisivamente para a formação de sujeitos passivos, alienados, acríticos e preconceituosos, fáceis de serem manipulados e, sobretudo, altamente vulneráveis a discursos demagógicos e oportunistas.

Essa é a geração que desejamos para futuramente conduzir o Brasil?


Francisco Ladeira

Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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