Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

A Caixa de Pandora do obscurantismo está aberta

Os desdobramentos das chamadas "jornada de junho de 2013", os "coxinhatos" de 2015, o Golpe de Estado de 2016 e o crescimento da campanha de Bolsonaro foram alguns dos acontecimentos que contribuíram para abrir a Caixa de Pandora do obscurantismo no Brasil.


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Os desdobramentos das chamadas "jornada de junho de 2013" (mobilizações populares inicialmente contrárias ao aumento do valor das passagens de ônibus em São Paulo que foram capturadas pelos setores mais reacionários de nossa sociedade), os "coxinhatos" de 2015 (quando a classe média vestida com a camisa da CBF foi em peso às ruas dançar em volta do Pato Amarelo da FIESP pedindo "fora Dilma"), o Golpe de Estado de 2016 (que retirou do poder uma presidenta legitimamente eleita com 54 milhões de votos, sem nenhum tipo de prova contra ela) e o crescimento vertiginoso da campanha de Jair Bolsonaro nos últimos meses foram alguns dos acontecimentos que contribuíram para abrir a Caixa de Pandora do obscurantismo no Brasil.

Toda uma parcela raivosa da população, antes envergonhada de seus preconceitos, resolveu sair do armário ao mesmo tempo. Libertaram seus impulsos mais primitivos.

Ninguém mais se intimida em ser racista, homofóbico, misógino, homofóbico ou portar armas de fogo. A parte mais obscura da personalidade humana, designada por Jung como "sombra", chegou à superfície.

Em curso há um processo de histeria coletiva em torno de um "mito". Milhões de pessoas hipnotizadas pelo seu líder.

As redes sociais, como bem disse Umberto Eco, deram voz a essa legião de imbecis, que possuem suas próprias "verdades de WhatsApp" e estão absolutamente convictos disso.

Qualquer pessoa que questione o status quo, revele os inúmeros defeitos do "mito" ou que pertença a uma das minorias a serem odiadas (homossexuais, negros e esquerdistas, entre outras) pode ser agredida violentamente nas ruas, ou achincalhada no espaço virtual pelos haters que estão sempre a postos para espalhar o ódio.

As práticas de linchamentos (a "justiça com as próprias mãos" da milenar Lei de Talião) substituíram as leis; linchamentos virtuais substituíram os argumentos; fake news substituíram a realidade.

Há, em todas as partes do país, nos âmbitos virtual e real, elogios à ignorância humana, atavismos sociais, o retorno à barbárie está próximo.

Lembrando Bertholt Brecht, a cadela do fascismo está novamente no cio.


Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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