Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia. Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade. Articulista do Observatório da Imprensa. Autor de três livros.

Analfabetismos em época de eleição

Este artigo aborda como o processo eleitoral brasileiro tem sido marcado por notícias falsas e a concepção de "pós-verdade"


piramide intelectual.jpg

As mobilizações favoráveis à candidatura de Jair Bolsonaro têm exposto três tipos de analfabetismo.

O primeiro é o clássico "analfabetismo funcional", que se apresenta na própria dificuldade básica de seus eleitores em interpretar textos, pois qualquer postagem contrária ao seu candidato são "retrucadas" a partir de frases feitas como "PT vai transformar o Brasil em um Venezuela", "Haddad vai implantar o kit gay", "chora mais", "vai para Cuba, comunista", etc.

Ou seja, eleitores do Bolsonaro (assim como o próprio) fogem de qualquer debate minimamente sério, sobretudo quando a temática é economia.

O segundo analfabetismo é o chamado "analfabetismo político", pois, antes do período eleitoral, os apoiadores do "mito" raramente discutiam sobre política, alias se vangloriavam em dizer que "odeiam política", "são todos corruptos", etc.

Suas fontes de informações são correntes de WhatsApp e postagens nas redes sociais.

Não recorrem nem à grande imprensa, considerada por eles como "comunista".

leitura.jpg

Não conhecem os significados de termos como "fascismo", "comunismo" e "ditadura". Também abominam debates que recorram a exemplos históricos, pois têm as suas "próprias verdades".

Dizem ter asco à velha política, mas vão votar em um candidato que está no esquema da política tradicional há três décadas, que fez da política uma "profissão" para toda a sua família, e fez parte, inclusive, do partido político de Paulo Maluf, um dos símbolos da corrupção estatal no Brasil.

O último analfabetismo é típico do século XXI. É o "analfabetismo digital". Eleitores do Bolsonaro tendem a compartilhar fake news de maneira exaustiva.

Não se preocupam com checagem sobre veracidade, sobre fontes minimamente confiáveis. O mais importante é que um determinado texto, meme, vídeo ou imagem esteja em consonância com o seu posicionamento ideológico.

A realidade não mais importa. Como o indicado anteriormente, eles fabricam as suas próprias verdades.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia. Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade. Articulista do Observatório da Imprensa. Autor de três livros. .
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Francisco Fernandes Ladeira