Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Bicentenário de Marx

Em cada reivindicação de trabalhadores por melhores salários, nas lutas dos povos oprimidos contra o imperialismo e em movimentos sociais que denunciam os diversos tipos de exploração, a obra de Marx vive


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Há exatos 200 anos, no dia 5 de maio de 1818, nascia Karl Heinrich Marx, um dos maiores pensadores da história.

Admirado por muitos, odiado por tantos outros e incompreendido pela maioria, Marx é o criador do comunismo científico e da teoria e prática da moderna luta revolucionária de classes do proletariado mundial.

Não há como ficar indiferente às suas ideias.

É fácil entender o ódio das classes dominantes e dos setores conservadores da população (também conhecidos como "coxinhas") ao pensamento de Marx.

Em um dos seus principais livros, Manifesto do Partido Comunista, escrito em parceria com o amigo Friedrich Engels, Marx convocava o proletariado mundial a lutar contra o sistema capitalista que tanto os explorava: “Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!”.

Já em sua obra-prima, O Capital, Marx desnudou o capitalismo e apontou as explorações do trabalho alheio e dos países centrais aos países periféricos como condições indispensáveis para o andamento do sistema econômico dominante no Ocidente.

Para ele, os intelectuais não devem apenas “interpretar” o mundo, mas também contribuir para “transformá-lo”.

De acordo com Marx, no capitalismo os bens materiais, ao serem fetichizados, ocultam o trabalho social utilizado em sua produção e passam a assumir qualidades que vão além da mera materialidade.

As coisas são personificadas e as pessoas são coisificadas.

Em uma linguagem atual, poderíamos dizer que um automóvel de luxo, uma mansão em um bairro nobre ou ostentar objetos de determinadas marcas famosas são alguns dos fatores que conferem maior valorização e visibilidade social a um indivíduo.

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Segundo o pensamento marxiano, a história se desenvolve de forma linear, em diferentes etapas, movidas, sobretudo, pelas contradições originadas da organização do sistema de produção (luta de classes).

“Em um caráter amplo, os modos de produção asiático, antigo, feudal e burguês moderno podem ser considerados como épocas progressivas da formação econômica da sociedade”, afirmou Marx em Contribuição à crítica da economia política.

Cada fase do desenvolvimento da humanidade produz o germe de sua destruição. No sistema feudal essa função coube à burguesia.

No sistema capitalista, a classe operária, explorada pelos patrões, deve se organizar e promover a revolução socialista, transformando os meios de produção em propriedades coletivas.

Instaurado o socialismo, caberia ao proletariado apoderar-se do aparelho estatal e eliminar as diferenças sociais originadas pelo sistema capitalista.

Corrigidas as distorções sociais, instituições como o Estado, o mercado e a propriedade privada deixariam de existir.

Surgiria então a derradeira etapa do desenvolvimento da humanidade: o comunismo.

Muitos acusam Marx de utópico, agitador e subversivo ou apontam que as suas ideias jamais possam ser colocadas em prática.

No entanto, em cada reivindicação de trabalhadores por melhores salários, nas lutas dos povos oprimidos contra o imperialismo e em movimentos sociais que denunciam os diversos tipos de exploração, a obra de Marx vive.

O capitalismo seria ainda muito mais “selvagem” se não fossem as sombras das ideias de pensadores revolucionários como Karl Marx.


Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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