Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

Música

Dificilmente encontramos alguém que não goste de música. O que varia, evidentemente, é a preferência musical, que pode ser condicionada tanto por fatores genéticos quanto ambientais.


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A música é certamente uma das mais sublimes criações do ser humano. Arnaldo Antunes já dizia: “Música para ouvir Música para ouvir Música para ouvir”. Em uma de suas canções, o grupo estadunidense Village People afirmava: “Nobody can stop the music” (Ninguém pode parar a música).

Segundo Nietzsche, felizmente temos a arte (entre elas, a música) para não morrermos da verdade. Por sua vez, Schopenhauer, filósofo pessimista, afirmava que a arte (sobretudo a música) é o único refúgio que temos para suportar o fardo da existência.

Mas, afinal de contas, o que é música? De onde ela veio, para onde ela vai? De acordo com os estudos antropológicos, há indícios de que desde a pré-história já se produzia música, provavelmente como consequência da observação e imitação dos sons que vinham da própria natureza.

O Dicionário Aurélio define música como a arte de combinar harmoniosamente os sons; combinação de sons a fim de torná-los harmoniosos e expressivos e a ação de se expressar através de sons, pautando-se em normas que variam de acordo com a cultura, sociedade etc.

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Dificilmente encontramos alguém que não goste de música. O que varia, evidentemente, é a preferência musical, que pode ser condicionada tanto por fatores genéticos quanto ambientais.

Sendo assim, quando se fala em música, é praticamente impossível não mencionar gostos pessoais. Aliás, falando nisso, o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em um de seus insights, constatou que o “bom gosto” está relacionado mais à dominação simbólica exercida por um determinado grupo social do que propriamente a questões meramente artísticas.

Nesse sentido, não é por acaso que o padrão musical europeu – de maneira geral, harmonicamente rico, porém ritmicamente pobre – é considerado como exemplo de “música de qualidade”. Em contrapartida, músicas que prezam pelo ritmo em detrimento da harmonia são consideradas “inferiores”.

Desde o século passado, com o advento da indústria fonográfica, a música está intrinsecamente relacionada à chamada “cultura de massa”.

Para o filósofo alemão Theodor Adorno, expoente da famosa Escola de Frankfurt, isso significa um nivelamento cultural por baixo, já que a música se torna dependente do mercado e, para atingir uma audiência mais ampla, tende a perder qualidade. Não obstante, o formato “disco” não proporciona o contato direto e a “troca de energias” entre artista e público.

Por outro lado, Walter Benjamin, bem menos elitista do que seu colega Adorno, considerava a democratização da arte como um aspecto extremamente positivo, pois representaria a possibilidade de o grosso da população ter acesso a obras que anteriormente só estavam disponíveis para uma parcela ínfima das classes mais abastadas.

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De maneira geral, a música extrapola o âmbito artístico. Um sujeito pode não gostar de samba, mas não pode contestar a importância desse gênero para a formação da cultura brasileira e para a afirmação do negro em nossa sociedade. “Eu sou o samba. A voz do morro sou eu mesmo, sim Senhor!”, diz a letra de uma canção.

Do mesmo modo, alguém pode não admirar o rock n’roll, mas deve ter em mente que não há como compreender os movimentos de contestação juvenil em nível global a partir dos anos 1960 sem remeter ao estilo musical consagrado por Elvis Presley, The Beatles, Jimi Hendrix e tantos outros.

Já o fato de a grande maioria das canções que circula pelo planeta ser em língua inglesa reflete a dominação econômica e cultural dos Estados Unidos. Todavia, isso não impediu que nomes como Carlos Gardel, Édith Piaf, Trio Los Panchos, Paco de Lucía e Domenico Modugno fossem reconhecidos mundialmente.

Em se tratando da música feita no Brasil, é inegável o valor artístico e cultural de nossas composições. Poucos povos podem se lisonjear da variedade de ritmos, da riqueza melódica e da alta qualidade de suas produções musicais. Estes e outros motivos fazem da Música Popular Brasileira (rótulo genérico, porém ainda válido de alguma forma) uma das mais respeitadas e admiradas do planeta.

Poucas nações têm entre seus maiores músicos nomes como Tom Jobim, Chico Buarque, Noel Rosa, Luiz Gonzaga e Baden Powel. Enfim, a lista é imensa e não caberia aqui.

Muitos dizem que nas últimas décadas a música radiofônica no Brasil sofreu uma vertiginosa queda de qualidade. Concordamos com essa premissa, porém isso é uma temática para uma outra discussão. Fato é que, enquanto a “música descartável” dura somente um verão (ou nem tanto!), obras de nomes tão distantes no tempo e no espaço como Johann Sebastian Bach, Mozart, Beethoven, John Coltrane, Jim Morrison e Cartola, felizmente, passaram para a posteridade.


Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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