Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

Na ditadura judicialesca não há o que comemorar

Como já dizia Jessé Souza, o argumento de combater a corrupção (estatal, somente) é uma cortina de fumaça que esconde a verdadeira corrupção, localizada no mercado


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O fato de Aécio Neves ter virado réu no Supremo por corrupção e obstrução de Justiça, ao contrário do que dizem alguns coxinhas aloprados, não quer dizer que não houve golpe há exatos dois.

Carlos Lacerda, uma das vozes mais atuantes no golpe anterior, ocorrido em 1964, também foi descartado pelos militares após assumirem o poder, tal como aconteceu com Eduardo Cunha, em 2016.

São os “idiotas úteis”, necessários para processos golpistas.

O fato de Aécio Neves ter virado réu no Supremo também não quer dizer que não haja perseguição a Lula, ou que os principais nomes do PSDB não sejam blindados pelo sistema.

Aécio é carta fora do baralho, é até melhor para a direita se livrar de um fardo desses.

O próprio Antônio Carlos Magalhães, um dos últimos “coronéis” do Nordeste, já tecia várias críticas ao neto de Tancredo, pois ele não tem o “perfil direitista”.

Enquanto muitos acreditam que Aécio poderá ser preso (o que é difícil), os principais nomes tucanos, notadamente Geraldo Alkmin, seguirão soltos.

Sacrifica-se uma ovelha pelo bem do rebanho.

Não há o que comemorar nessa ditadura judicialesca, pois um dos objetivos da deposição da presidenta Dilma Rousseff, com o grande auxílio da grande mídia, é justamente demonizar a própria esfera política, abrindo o caminho para que os verdadeiros donos do golpe, o imperialismo mundial (sobretudo o estadunidense) possa comandar o Brasil sem intermediários.

Como já dizia Jessé Souza, o argumento de combater a corrupção (estatal, somente) é uma cortina de fumaça que esconde a verdadeira corrupção, localizada no mercado. Boa parte da esquerda mais vez caiu nesse conto da “sede de justiça”. E segue o golpe!!!


Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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