Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor.

Porque a esquerda deve se unir em torno de Lula

Este artigo faz uma breve análise sobre o atual cenário político brasileiro e as atuações das forças de esquerda


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Primeiramente, é preciso ressaltar, principalmente para os apedeutas de plantão “comentaristas” de internet, que este artigo não se trata de propaganda partidária; apenas pretende apresentar algumas ideias para os setores progressistas da sociedade brasileira frente à atual instabilidade política.

Segundo: não sou militante do Partido dos Trabalhadores, ou de qualquer outra organização política.

Em 2014, eu não votei no PT; nem no primeiro, nem no segundo turno.

Pois bem, neste ano, em eleições “normais”, provavelmente eu também não votaria em candidatos petistas.

Mas a política não está “solta” no tempo e no espaço. Deve ser contextualizada.

Houve um golpe de Estado em 2016, contra uma presidenta legítima.

Só que os golpistas querem dar um ar “democrático” à sua agenda política entreguista. Para tanto, querem “eleger” o próximo presidente da República.

No entanto, é fato que a direita não tem popularidade no Brasil, visto o seu caráter anti-povo (e muitas vezes até fascistóide) de suas ideias.

Mas os golpistas querem ganhar a eleição na marra, com fraudes e, para isso, utilizam de seus principais trunfos: a mídia hegemônica e alguns setores do judiciário.

Também pretendem “criar” um candidato “apolítico”, paladino da “moral e dos bons costumes”, sem envolvimento em “escândalos de corrupção”, o “Macron dos trópicos”, bem ao gosto pseudo-moralista da classe média coxinha; uma espécie de Collor do século XXI.

Mas está difícil! Tentaram Doria, Huck, Joaquim Barbosa...

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Em tempos de redes sociais, é cada vez mais complexo para a direita fomentar mais uma farsa política.

Por outro lado, seria muita ingenuidade acreditar que houve um golpe em 216 e, dois anos depois, os golpistas simplesmente entregariam o poder.

Dificilmente a direita não sairá vitoriosa nas urnas, não por sua popularidade, mas pelas fraudes possíveis.

Diante desse cenário adverso para as forças progressistas, o ÚNICO nome capaz de vencer os golpistas é Lula.

Em eleições minimamente democráticas, dificilmente alguém superaria o ex-presidente nas urnas.

Aliás, a perseguição sofrida por Lula não se trata apenas de tirar o ex-presidente das próximas eleições; ela visa, em última instância, eliminar do cenário político nacional tudo o que minimamente se remeta à esquerda.

Por isso, o ideal seria a própria esquerda se unir em torno de Lula; primeiro: para evitar a sua prisão; segundo: para derrotar as golpistas no próximo pleito.

Manoela d'Ávila, Ciro Gomes e Guilherme Boulos, os outros supostos candidatos de esquerda, não têm popularidade e tampouco um programa político bem definido.

Suas candidaturas, inclusive, são amplamente impulsionadas pela burguesia nacional com o tácito objetivo de “dividir” e “confundir” a esquerda.

São apenas oportunidades que querem “preencher” uma provável lacuna deixada pelo PT, caso o partido vá para ilegalidade.

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Além do mais,sob o aspecto ideológico, PDT, PC do B e PSOL estão à direita do PT. O PDT está longe de ser o partido fundado por Brizola, votou a favor da intervenção militar no Rio, por exemplo; o PC do B é um partido confuso, cuja origem remete ao PMDB.

Já o PSOL, partido símbolo da chamada esquerda “pequeno-burguesa”, defende as mesmas pautas moralistas da classe média coxinha, só que sob um verniz pseudo-esquerdista.

Consequentemente, tanto “pragmaticamente” quanto “ideologicamente”, Lula é o único nome viável para a esquerda brasileira em 2018.


Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. .
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