Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

Quando o Galo conquistou a América

Há cinco anos, o Clube Atlético Mineiro, mais conhecido por seus torcedores como “Galo”, conquistava a Taça Libertadores da América.


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Há cinco anos, no dia de 24 de julho, o Clube Atlético Mineiro, mais conhecido por seus torcedores simplesmente como “Galo”, conquistava a Taça Libertadores da América.

E não foi um título qualquer. A trajetória do Galo teve caraterísticas típicas de um verdadeiro épico: início arrasador, momentos de tensão e um “final feliz”.

Sob o comando de Cuca (técnico com fama de azarado), tendo como principal jogador Ronaldinho Gaúcho (então desacreditado) e embalado pelo clássico bordão “caiu no Horto, tá morto”, o Galo passou tranquilo pela primeira fase, com a melhor campanha do torneio continental.

Nas oitavas de final, contra o São Paulo, foram duas vitórias, sendo uma goleada no Horto.

Parecia que o título viria naturalmente, sem sustos.

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Lego engano.

Quem é atleticano sabe que nenhuma conquista do clube vem sem sofrimento.

No segundo jogo das quartas de final, contra o Tijuana, aos 47 minutos do segundo tempo, o zagueiro Leonardo Silva cometeu pênalti em Marquez.

Caso convertida a penalidade, a equipe mexicana estaria classificada e o Galo, consequentemente, seria eliminado. O Horto se calou.

Na cabeça do atleticano passou um filme com as inúmeras derrotas históricas do Galo; muitas, inclusive, jogando em casa e nos minutos finais.

Seria mais um caso de “nadar e morrer na praia?”

O colombiano Riascos foi confiante para a bola e Victor, com o pé esquerdo, defendeu.

Surgia a alcunha “São Victor do Horto”. Alívio! Galo estava nas semifinais.

Mas era só o início do drama atleticano.

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Após a derrota de 2 a 0 para o Newell's Old Boys, no jogo de ida das semifinais; para se classificar, o Galo precisava, na partida de volta, no mínimo, devolver o placar.

Para variar, a classificação veio no sufoco: com apagão no Horto, segundo gol nos acréscimos do segundo tempo e, posteriormente, vitória na disputa por pênaltis.

Na grande final contra o Olímpia, o mesmo roteiro. Como diz um famoso jargão do futebol: “mais um teste para cardíacos”. Derrota de 2 a 0 em Assunção na primeira partida.

No jogo de volta, o primeiro tempo terminou 0 a 0. Das arquibancadas veio o incentivo da torcida mais empolgante do país: “Eu acredito!”. Logo no primeiro minuto da etapa final, Jô fez o primeiro gol.

Mas ainda não era o suficiente.

Faltando pouco mais de sete minutos para terminar a partida, silêncio no Mineirão.

O atacante Ferreyra passou por Victor, teve o gol aberto à sua frente e...escorregou!

Quem é atleticano há mais de três décadas provavelmente relacionou a jogada de Ferreyra ao drible de Renato Gaúcho no goleiro João Leite, que ocasionou no terceiro gol do Flamengo, eliminando o Galo da Copa União de 1987, em pleno Mineirão.

Só que dessa vez a história foi diferente.

A sorte, enfim, passou para o lado do Galo.

Para variar, o tento que garantiria a disputa de pênaltis viria no final da partida.

No último ato do “drama atleticano”, o Olímpia perde dois penais e o Galo converte todos: campeão da América.

Cuca não é mais azarado. Atlético não é mais azarado.

Um título tão impressionante que, quando assistimos novamente aos jogos daquela Libertadores da América de 2013, mesmo já sabendo os resultados, ainda sentimos as mesmas emoções registradas cinco anos atrás.


Francisco Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei; Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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