Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV.

Sobre o cenário político brasileiro, neoliberalismo e reações populares

Dificilmente Bolsonaro terminará o seu mandato.A questão que se coloca é o que virá depois disso. Tudo dependerá do equilíbrio de forças no campo político.


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As políticas neoliberais, caracterizadas basicamente pela diminuição do papel econômico do Estado, têm fracassado em todo o planeta.

Não por acaso, há dias ocorrem manifestações na Hungria contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de extrema-direita daquele país; na França, os "Coletes amarelos" pedem a renúncia do "apartidário" e "queridinho do mercado" Emmanuel Emannuel Mácron e a Argentina de Mauricio Macri se encontra em grave crise.

O próximo governo brasileiro (que assim como seu congênere húngaro, possui um viés fascista) também colocará em prática as ideias neoliberais, através de privatizações de empresas estatais, da eliminação de diretos trabalhistas duramente conquistados (afinal de contas, é difícil ser patrão por aqui) e do sucateamento do ensino público (em benefício dos grandes empresários da educação, entre eles o próprio Paulo Guedes).

Haverá uma política de terra-arrasada muito pior do que a colocada em prática por FHC. Utilizando-se de uma metáfora, isso significa "arrancar o couro" do povo brasileiro em benefício do capital financeiro.

Diante desse cenário desolador, assim como húngaros, franceses e argentinos, os brasileiros tendem a se indignar contra os ataques neoliberais. Nesse sentido, ou o regime poderá endurecer ainda mais, com o aumento da repressão à população em geral e das vozes destoantes, em particular (demonstrando assim o seu caráter fascistoide), o que poderá levar, entre outras medidas extremas, a um novo golpe militar; ou o povo, devidamente mobilizado, poderá derrotar os golpistas (lembrando que o governo Bolsonaro será a continuação do impopular governo Temer).

Dificilmente Bolsonaro terminará o seu mandato (nomes da própria direita como Delfim Netto, FHC e o general Mourão já advertiram sobre essa possibilidade).

A questão que se coloca é o que virá depois disso. Tudo dependerá do equilíbrio de forças no campo político.


Francisco Fernandes Ladeira

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); articulista do Observatório da Imprensa e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) - Campus Vitória. Autor (em parceria com Vicente de Paula Leão) do livro A influência dos discursos geopolíticos da mídia no ensino de Geografia: práticas pedagógicas e imaginários discentes, publicado pela editora CRV..
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